Marianne Collins / ArtofFact
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Animal marinho com 2m de comprimento era ancestral de insetos

Estudo descreve fóssil de criatura de 480 milhões de anos achado no Marrocos; espécie se alimentava por filtragem, como baleias

Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

11 Março 2015 | 18h53

Cientistas descobriram, no Marrocos, fósseis uma criatura marinha semelhante a um crustáceo de dois metros de comprimento, com cerca de 480 milhões de anos. Os cientistas afirmam que a descoberta fornece pistas importantes sobre a evolução dos primeiros ancestrais dos crustáceos, insetos e artrópodes modernos. O estudo, publicado nesta quarta-feira, 11, na revista Nature, foi liderado por Peter Van Roy e envolveu cientistas da Universidade de Yale, dos Estados Unidos e da Universidade de Oxford, no Reino Unido.

O fóssil faz parte da família dos anomalocaridídeos, animais marinhos pré-históricos gigantes. A nova espécie foi batizada de Aegirocassis benmoulae, em homenagem ao caçador de fósseis marroquino Mohamed Ben Moula, que fez as buscas na costa do Marrocos.  

De acordo com os autores do estudo, o Aegirocassis se alimentava por filtragem, como fazem as baleias, ao contrário de seus parentes mais próximos do período Cambriano - há cerca de 500 milhões de anos -, que eram em sua maioria predadores. O Aegirocassis tinha sobre a cabeça uma rede de espinhos que filtrava a água do mar, retendo os alimentos. De acordo com os pesquisadores, embora os anomalocaridídeos em geral tenham sido predadores, há registros de outras espécies da família que também se alimentavam por filtragem - mas o fóssil de Marrocos era o maior de todos e, possivelmente, o último a existir com essas características.

Os cientistas afirmam que os fósseis de anomalocaridídeos fornecem informações essenciais para a compreensão da evolução dos artrópodes. Segundo eles, enquanto se sabe muito sobre a anatomia da cabeça daqueles animais,  pouco se conhece sobre seus troncos segmentados. Os novos fósseis apresentam detalhes inéditos da anatomia do tronco. Cada um de seus segmentos tinha dois conjuntos separados de nadadeiras - as superiores eram análogas aos membros superiores dos artrópodes modernos, enquanto as inferiores pareciam pernas modificadas para adaptação ao nado. 

Segundo os cientistas, as nadadeiras podem ser ancestrais da dupla fila de patas características dos artrópodes, animais invertebrados com uma carapaça, como os crustáceos, as aranhas e os insetos.

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