Annan diz que vai cobrar promessas da Rio + 10

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, garantiu, nesta quinta-feira, em entrevista ao jornal francês Le Monde, que continuará "pressionando para verificar se os países mantêm as promessas" feitas na Cúpula Mundial de Desenvolvimento Sustentável de Johannesburgo, a Rio + 10, encerrada nesta quinta-feira."Estou satisfeito. É claro que não conseguimos tudo o que queríamos, mas há um certo compromisso, um impulso que tem de ser mantido", disse. "Não se devem esperar milagres, só comprometimento político."Depois de mostrar sua esperança de que "todo o mundo ponha mãos à obra e aja conforme o que foi decidido", Annan acha que "estamos no bom caminho". Para ele, o acordo sobre água e energia e a decisão de explorar os recursos do planeta de forma sustentável representam um passo "importante" para os países pobres.Alertou, ainda, para o importante papel das empresas privadas na aplicação das decisões da cúpula, porque "têm o dinheiro, a capacidade de administração e a tecnologia" necessários para isso e pediu que sejam "mais sensíveis ao ambiente".A satisfação do líder da ONU, porém, não foi compartilhada por alguns políticos e ambientalistas. "É preciso achar outra metodologia. Nós, os pobres, precisamos de outros tipos de cúpulas para atingir nossos objetivos", disse o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que falou em nome do G-77 (grupo de países em via de desenvolvimento do qual o Brasil fez parte), no encerramento da conferência."Se são só estes os frutos de dez anos de reflexão, durante os quais a pobreza aumentou e o meio ambiente sofreu trágicos danos, não cremos ser necessário nos reunir em 2012 numa ´Johannesburgo +10´", afirmaram ativistas do Amigos da Terra."Os governos nos decepcionaram. Estava previsto que esta cúpula trataria da erradicação da pobreza e, nos dez dias que passei nas salas de reunião, não ouvi uma única referência a essa questão", desabafou o líder do Greenpeace, Steve Sawyer.Longe da polêmica, os principais jornais dos Estados Unidos preferiram abster-se nesta quinta de noticiar os resultados da conferência, dedicando-se apenas a comentar o discurso do secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, em Johannesburgo e a estampar fotos de manifestações contra ele.Só o Los Angeles Times publicou um editorial, "A cúpula terminou: ao trabalho", no qual critica quem a considera um fracasso e defende que "os EUA e os outros países devem cumprir suas promessas".A organização Iniciativa para uma Cúpula Mundial Verde, que mediu o impacto ambiental do evento, informou nesta quinta que a conferência produziu 331 toneladas de lixo e 290 mil t de dióxido de carbono. A reciclagem parcial (de 76,4 t das 331 t de lixo), porém, conseguiu de alguma forma reduzir esse impacto.

Agencia Estado,

05 de setembro de 2002 | 23h26

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