Ed Ferreira/AE
Ed Ferreira/AE

ANP aponta falhas graves da Chevron

Relatório da agência indica erro humano na avaliação do revestimento interno do poço

Eduardo Rodrigues - O Estado de S.Paulo,

23 Março 2012 | 00h09

O relatório sobre o vazamento de petróleo ocorrido em novembro no Campo de Frade, na Bacia de Campos, concluído pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), aponta falhas graves na operação da empresa Chevron e pode até mesmo cassar a concessão da petrolífera. Ontem, o assessor da diretoria-geral da ANP, Sílvio Jablonski, disse que pode ter havido falha humana.

No entanto, nem a empresa nem o órgão regulador sabem as causas do novo vazamento identificado no início do mês.

Em audiência esvaziada na Comissão de Meio Ambiente do Senado, com a presença de pouquíssimos parlamentares, Jablonski afirmou ontem que o relatório da agência sobre o incidente de novembro indica que a companhia fez uma avaliação errada sobre a necessidade de revestimento interno do poço, o que trouxe risco operacional para a exploração.

"A situação poderia ser evitada se o revestimento fosse mais extenso, por mais 300 ou 400 metros. Mesmo se houvesse ruptura, esse óleo não teria condições de chegar ao oceano", detalhou o assessor da ANP.

Por isso, avaliou Jablonski, a hipótese de falha no equipamento da companhia estaria praticamente descartada. "Se foi um erro de avaliação, então não foi culpa de um robô, mas da equipe de engenheiros que tomou a decisão. Então acabaremos chegando à falha humana", completou.

Ele lembrou que a empresa ainda tem 15 dias para responder ao relatório, para que a ANP possa tomar uma decisão final, que pode chegar à quebra do contrato.

"Multa é uma das penalidades possíveis, mas isso não afasta a possibilidade de se exigir a mudança do operador da concessão ou até mesmo que se opte pela rescisão do contrato", concluiu o assessor da agência.

Sobre o novo vazamento de óleo detectado na área do Campo de Frade, Jablonski avaliou que o incidente não tem potencial para se tornar uma "tragédia". Segundo ele, as "gotículas" de petróleo que saem do solo estão sendo recolhidas por equipamentos instalados pela Chevron no local. "Sobrevoos diários não indicam nada de anormal. Além disso, robôs no fundo do mar estão observando os pontos e não percebemos nada de trágico."

Segundo o assessor da ANP, a agência ainda não tem uma resposta sobre as causas do incidente que envolve a petroleira americana. "Temos nove hipóteses, incluindo a possibilidade de ser óleo do vazamento anterior", afirmou. "Mesmo que não tenhamos causa estabelecida para o segundo incidente, não se trata de nada catastrófico, até porque o reservatório tem pouco óleo."

Oficial. O diretor de assuntos corporativos da Chevron, Rafael Jaen Williamson, também participou da audiência. Ele relatou que a companhia está conduzindo um estudo técnico suplementar para conhecer melhor estrutura geológica da área. Segundo ele, com a suspensão da exploração no Campo de Frade desde o dia 15, a empresa tem deixado de retirar 5 mil barris por dia.

O presidente da companhia no Brasil, George Buck, era originalmente o convidado pelos senadores a prestar esclarecimentos, mas não compareceu. A pedido do MPF, a Justiça proibiu Buck e outros membros da Chevron de deixarem o País.

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