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Antepassado do homem tinha forma de bolsa e nove orifícios, mostra estudo

Pesquisadores descobriram animal que teria dado origem aos vertebrados

O Estado de S.Paulo

30 Janeiro 2017 | 17h10

O que temos em comum com as estrelas do mar e os vermes marinhos? Um antepassado com forma de bolsa e nove orifícios, segundo um estudo publicado nesta segunda-feira, 30, pela revista britânica Nature.

"Como vertebrados, pertencemos a um grupo conhecido pelo nome de deuterostômios", explica Simon Conway Morris, da Universidade de Cambridge e coautor do estudo. "Mas este grupo é de uma diversidade enorme", acrescenta o pesquisador. 

A partir daí surge a pergunta: qual é o antepassado comum destas espécies tão diferentes?

Ao descobrir "Saccorhytus", na província de Shaanxi, na China central, pesquisadores chineses apareceram com a resposta.

"Saccorhytus nos revelou que se parecia com nosso antepassado comum", disse Conway Morris. Era minúsculo (1 mm), com forma de saco e oito aberturas em todo o corpo, além da boca, muito proeminente.

Estas minúsculas criaturas aquáticas, achadas fossilizadas, viveram há cerca de 540 milhões de anos, provavelmente entre os grãos de areia no fundo do mar.

Para os autores do estudo, se trata do deuterostômio mais antigo até agora conhecido. E, portanto, "do antepassado pré-histórico mais antigo do ser humano".

"Saccorhytus nos oferece informações importantes sobre as primeiras fases da evolução de um grupo que levou aos peixes e, finalmente, a nós", indicou um comunicado da Universidade de Cambridge.

O minúsculo animal tinha uma grande boca (em relação ao resto de seu corpo). Se alimentava provavelmente engolindo partículas de alimentos e criaturas diversas.

Os pesquisadores não descartam a chance de ele ter receptores sensoriais, mas não acharam nada que pudesse se parecer com olhos.

As oito aberturas cônicas permitiam ao animal soltar a água que engolia, especialmente porque ao que parece o animal não tinha ânus.

Estes orifícios poderiam ser "o precursor evolutivo das brânquias dos peixes", segundo a Universidade de Cambridge.

Para os pesquisadores, por trás deste mini-monstro, Saccorhytus escondia um "nível destacável de complexidade orgânica para um estado tão precoce da evolução animal"./AFP

 

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