Antinori anuncia mais um nascimento de clone

O ginecologista italiano, Severino Antinori, anunciou hoje que uma mulher portadora de um embrião humano obtido por clonagem deverá ter a criança no início de janeiro.O especialista disse em Roma que a gravidez encontra-se na 33ª semana, desenrolando-se sem complicações.Antinori disse que o feto pesa atualmente 2,7 quilogramas e tem mais de 90% de probabilidades de nascer bem.À semelhança do que aconteceu anteriormente, Antinori não revelou em que país está acontecendo a experiência.Acrescentou que não assistirá ao parto desta criança do sexo masculino, e que não participou da clonagem em causa.Os legisladores italianos estão trabalhando numa lei de interdição da clonagem humana e sua punição exemplar.Segundo Antinori, estariam em curso mais duas gestações de embriões clonados, uma de 28 semanas e outra de 27, mas não adiantou outros detalhes, para além de confirmar que os três casos estão verificando-se na mesma zona geográfica.O pesquisador aproveitou a ocasião para criticar o criador da ovelha clonada Dolly, Ian Wilmut, diretor do Instituto Roslin, de Edimburgo, que confirmou ter solicitado autorização para clonar embriões humanos com fins terapêuticos.Segundo Antinori, Wilmut defendeu no passado que não se permitisse a clonagem de humanos, mas agora está pedindo para fazê-lo.Wilmut pretende autorização da Autoridade de Embriologia e Fertilização Humana (HFEA) do Reino Unido para realizar experiências com embriões humanos, com o objetivo de investigar tratamentos para doenças degenerativas como a de Parkinson ou Alzheimer.Concretamente, Wilmut necessita de autorização para poder aplicar uma técnica chamada partenogênese, que implica a fertilização de um óvulo humano sem utilizar esperma, de forma a que o óvulo fecundado se desenvolva em laboratório e se converta num embrião.No entanto, o Instituto Rosalin não poderá implantar num útero um embrião gerado através desta técnica, um ato que poderia resultar no nascimento de uma criatura clonada e que está proibido taxativamente pela Lei de Embriologia Humana deste país.Segundo Wilmut, o objetivo do seu laboratório é cultivar esses embriões partenogênicos num tubo de ensaio durante vários dias para que os investigadores possam extrair as células-tronco (também chamadas indiferenciadas ou estaminais) para o seu estudo.O grande valor das células-tronco, que se desenvolvem nos primeiros dias de vida do embrião, consiste em poderem ser cultivadas e converter-se em tecidos de todo o tipo, o que seria um grande avanço para os transplantes e a cura de doenças como Parkinson ou Alzheimer.Antinori e o norte-americano Panos Zavos constituíram um consórcio internacional com duas dezenas de especialistas em reprodução humana que anunciou em janeiro de 2001 a intenção de clonar humanos para ajudar casais estéreis a terem filhos.O especialista italiano disse hoje que já não mantém praticamente qualquer contacto com Pavos.Severino Antinori tornou-se célebre ao ajudar mulheres na menopausa a terem filhos.

Agencia Estado,

26 de novembro de 2002 | 20h54

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