Anunciados os ganhadores do Prêmio IgNobel

Em 1995, um pato veio voando e colidiu com a fachada de vidro do Museu de História Natural de Roterdã. O pesquisador Kees Moeliger ouviu o barulho e foi ver do que se tratava. O pato estava morto, mas outro pato o atacava sexualmente. Impassível, Moeliger acompanhou o "estupro" por 75 minutos e só então espantou a ave pervertida. Escreveu um estudo, ?O Primeiro Caso de Necrofilia Homossexual entre Patos?, que foi contemplado com o IgNobel de Biologia, o prêmio anual aos mais ridículos, inúteis e absurdos trabalhos científicos do mundo. Todos os anos, 5 mil trabalhos são indicados para a "honraria", entregue sem pompa e sem circunstância no Sanders Theatre da Universidade de Harvard. Para quem imagina que cientistas fugiriam desse mico como diabo da cruz, vale lembrar que todos vão à cerimônia - e pagam passagem e estadia do próprio bolso. Mais: muitos prêmios são entregues por ganhadores do Prêmio Nobel.Edward Murphy III recebe este ano o IgNobel de Engenharia concedido a seu pai, o já falecido engenheiro Edward Murphy, o autor da famosa Lei de Murphy, cujo enunciado original é: "Se houver duas ou mais maneiras de fazer qualquer coisa e uma delas resultar em catástrofe, alguém a fará." O IgNobel de Química fica com o japonês Yukio Hirose, que passou anos pesquisando uma estátua de bronze da cidade de Kanazawa, a única que não atraía pombos. O de Economia foi para o Karl Schwärzler e para o principado de Liechtenstein, por possibilitar "alugar o principado inteiro para convenções de empresas, casamentos, bar mitzvas e outras reuniões".O IgNobel da Paz vai para o indiano Lal Bihari, fundador da Associação das Pessoas Mortas: Bihari foi dado oficialmente como morto por 18 anos graças à burocracia de seu país. Depois de muita luta, o comerciante de Uttar Pradesh conseguiu provar que estava vivo e até obteve passaporte. Só não convenceu o Departamento de Estado dos Estados Unidos, que lhe negou visto de entrada.

Agencia Estado,

02 de outubro de 2003 | 19h10

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