Paulo Pinto/AE
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Anvisa quer fiscalizar agrotóxico em mercado

Objetivo é vigiar e multar supermercados pela venda de produtos contaminados; medida deve vigorar em 2013

Lígia Formenti, de Brasília,

08 Dezembro 2011 | 01h02

BRASÍLIA - Supermercados passarão a ser fiscalizados e autuados pela venda de produtos agrícolas contaminados por agrotóxicos. Um protocolo com detalhes sobre a ação começa a ser preparado nos próximos meses pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e será colocado em prática em 2013. A fiscalização será feita por escritórios locais da agência e laboratórios oficiais.

 

A ação é apontada pela Anvisa como uma das estratégias para combater o uso abusivo e incorreto de agrotóxicos nos alimentos. Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos de Alimentos (Para) da Anvisa revela que 27,9% das amostras apresentavam irregularidades.

 

Pelo terceiro ano consecutivo, o pimentão foi o responsável pela maior número de amostras contaminadas: 91,8%. Morango e pepino vêm em seguida, com 63,4% e 57,4%. "Os resultados são muito preocupantes. O consumo de alimentos contaminados aumenta o risco do aparecimento de doenças como câncer, problemas neurológicos e endócrinos", afirmou o gerente geral de toxicologia da Anvisa, Luiz Claudio Meirelles.

 

Os problemas, completou Meirelles, são constatados a longo prazo. "Esses produtos trazem riscos. Daí a importância de que a produção se enquadre nos parâmetros técnicos".

 

Irregularidades

 

Esta é a 10ª edição da análise. As irregularidades encontradas são de uso de agrotóxicos em quantidade excessiva ou não autorizados para determinada cultura. Das amostras avaliadas, apenas a batata não apresentou nenhum desvio de qualidade.

 

Em 2002, quando a primeira avaliação foi feita, 22,2% das amostras apresentavam irregularidades. A Associação Nacional de Defesa do Vegetal (Andef), garante que resultados do Para não representam uma ameaça à saúde. A associação afirma que boa parte das amostras foi reprovada porque foi identificado o uso de agrotóxico não registrado. "O agricultor muitas vezes tem duas culturas e usa o mesmo produto. Isso não significa que ele oferece mais riscos", afirmou Guilherme Guimarães, técnico de regulamentação da Andef.

 

Os resultados do trabalho serão analisados pelos ministérios da Saúde e da Agricultura. A ideia é que, a partir do que foi encontrado, sejam tomadas medidas consideradas essenciais pela Anvisa. Entre elas, a melhora na qualidade do sistema para identificação de produtores que usam agrotóxicos de forma incorreta. "Parte significativa dos produtos não consegue ser rastreada, e por isso há ainda muito o que se melhorar nesta área", afirma Guimarães.

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