Apenas 22% dos resíduos industriais têm tratamento adequado

Dos 2,9 milhões de toneladas de resíduos industriais perigosos gerados anualmente no Brasil, somente 600 mil toneladas, cerca de 22%, recebem tratamento adequado, conforme estimativa da Associação Brasileira de Empresas de Tratamento, Recuperação e Disposição de Resíduos Especiais (Abetre). Os 78% restantes são depositados indevidamente em lixões, sem qualquer tipo de tratamento.O presidente da Abetre, Carlos Fernandes, afirma que, dos rejeitos industriais tratados, 16% vão para aterros, 1% é incinerado e os 5% restantes são co-processados, ou seja, transformam-se, por meio de queima, em parte de matéria-prima para a fabricação de cimento. ?Esses 2 milhões de toneladas de resíduos industriais jogados em lixões significam possibilidade de contaminações e agressões ao meio ambiente?, diz.Segundo Fernandes, ?se considerarmos apenas metade dessa quantidade como sujeita a futuras fiscalizações, o País vê crescer, por ano, em 1 milhão de toneladas o seu resíduo industrial alocado indevidamente. Nos últimos dez anos, esse montante passa para cerca de 12 milhões de toneladas. Em uma estimativa conservadora, a indústria brasileira apresentou um passivo de R$ 5 bilhões na última década. E o mais assustador é que esse passivo cresce meio milhão de reais a cada ano?.A entidade calcula que o potencial do mercado de destinação de resíduo industrial perigoso é de R$ 1 bilhão por ano no Brasil. Atualmente, porém, o tratamento e a disposição de rejeitos geram um faturamento de aproximadamente R$ 240 milhões, valor cinco vezes menor do que o potencial.Segundo João Gianese Netto, diretor da Abetre, esse mercado inclui as empresas que fazem a recuperação de resíduos. Entre os rejeitos, que podem ser reutilizados estão os metais, borracha, plásticos e lâmpadas (mercúrio), entre os sólidos, e os solventes e óleos queimados, entre os líquidos. Entre os tratamentos possíveis para os resíduos industriais perigosos estão o aterro (local de disposição final de resíduos sólidos utilizando princípios específicos de engenharia para armazenar rejeitos), a incineração (processo físico-químico que emprega a destruição térmica a alta temperatura para destruir a fração orgânica e reduzir o volume do rejeito) e o co-processamento (processo de destruição térmica de resíduos em fornos industriais devidamente licenciados, com aproveitamento energético ou matérias-primas). Outros sistemas listados por Gianese são a central de tratamento de resíduos industriais (uma evolução dos aterros, que contempla operações distintas, incluindo a reciclagem), o blending (plantas industriais, para o recebimento e o tratamento de resíduos industriais para combustíveis alternativos) e a inertização (utilizada para os resíduos perigos em países como a França, mas ainda não disponível no Brasil).

Agencia Estado,

02 de maio de 2002 | 15h16

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