Robyn Beck/AFP
Robyn Beck/AFP

Após 5 anos de missão, sonda Juno chega à órbita de Júpiter

Até fevereiro de 2018, nave dará 37 voltas antes de bater na superfície do planeta e observará o que está sob as densas nuvens

Fábio de Castro, O Estado de S.Paulo

05 Julho 2016 | 07h50

A nave Juno, enviada ao espaço pela Nasa há cinco anos para explorar Júpiter, entrou com sucesso na órbita do planeta gigante na madrugada desta terça-feira, 5, à 0h54 (horário de Brasília), depois de um delicado procedimento de 35 minutos.

Nave espacial movida por energia solar que viajou mais longe no espaço - cerca de 2,8 bilhões de quilômetros até agora -, a sonda Juno dará 37 voltas em Júpiter, obtendo dados sobre sua atmosfera e campo magnético, até fevereiro de 2018, quando receberá o comando para mergulhar no planeta e ser destruída.

A nave não tripulada é a primeira projetada para operar no coração dos cinturões de radiação de Júpiter e conseguirá uma aproximação inédita, chegando a menos de 5 mil quilômetros das nuvens que recobrem Júpiter. Ela registrará imagens em uma resolução nunca vista do maior planeta do Sistema Solar.

Por volta da 0h20 de Brasília, Juno desligou seu motor principal para reduzir a velocidade e fazer uma manobra de inserção em órbita, como tinham previsto os cientistas que dirigem a missão da Nasa, em Pasadena, na Califórnia. 

O procedimento de inserção em órbita é considerado o ponto crítico da missão e o sucesso foi comemorado pelo administrador da Nasa, Charlie Bolden, responsável pelo comando da operação. “Neste momento eu não me importo de estar preso em uma sala sem janelas na noite de 4 de julho. A missão foi excelente”, disse Bolden, referindo-se à tensa espera pelo procedimento em pleno feriado da Independência americana.

Os planos para a inserção orbital incluíram o acionamento de um motor para reduzir a velocidade da nave para menos de 2 mil quilômetros por hora. A nave, que se move girando no espaço, também teve sua rotação aumentada de dois para cinco giros por minuto, para fins de estabilização. A distância média entre Júpiter e a Terra é de 778 milhões de quilômetros. A nave percorreu uma distância maior, já que não foi diretamente ao planeta.

“A espaçonave funcionou com perfeição, o que é sempre bom quando você está pilotando um veículo que já tem 2,8 bilhões de quilômetros no hodômetro”, disse Rick Nybakken, gerente de projetos da Juno na Nasa. 

Nos próximos meses, os cientistas da missão Juno farão os testes finais dos subsistemas da espaçonave e a calibração dos instrumentos científicos. “A fase de coleta de dados científicos começa oficialmente em outubro, mas achamos um jeito de já conseguir alguns dados antes disso”, disse Scott Bolton, pesquisador da missão. 

A sonda deverá fornecer novas respostas para os mistérios sobre o núcleo, a composição e o campo magnético de Júpiter.

 

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