Divulgação/Companhia das Letras
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Após polêmica com Drummond, Biblioteca Nacional dá prêmio a Ana Martins Marques

Morto há 25 anos, o poeta mineiro não poderia ter concorrido mas acabou ganhando

Maria Fernanda Rodrigues, de O Estado de S. Paulo - Texto ampliado às 16h30,

25 Janeiro 2013 | 13h06

SÃO PAULO - A Fundação Biblioteca Nacional voltou atrás na decisão de conceder o Prêmio Alphonsus de Guimaraens, que corresponde à categoria poesia do Prêmio Biblioteca Nacional de Literatura, ao livro Poesia 1930-62 (Cosac Naify), de Carlos Drummond de Andrade, e premia agora a mineira Ana Martins Marques por seu livro Da Arte das Armadilhas (Companhia das Letras). A obra da poetisa já havia sido finalista do Prêmio Portugal Telecom 2012, mas perdeu para Junco, de Nuno Ramos.

A mudança é resultado da movimentação iniciada após o anúncio dos vencedores, em dezembro. Segundo o edital, apenas obras inscritas pelo autor ou por sua editora mediante assinatura do próprio autor podem concorrer. Drummond morreu há 25 anos.

Nascida em 1977 em Belo Horizonte, Ana Martins Marques é autora também de A Vida Submarina, publicado em 2009 pela Scriptum.

"Achei acertada a decisão da Biblioteca Nacional de rever o resultado da premiação de poesia (e sabemos que para uma instituição nunca é um processo fácil rever as próprias decisões). Por mais méritos que tenha a publicação de uma edição crítica de Drummond (e a edição organizada pelo Júlio Castañon Guimarães é, de fato, maravilhosa, e digna de todo reconhecimento), o propósito do prêmio claramente é premiar o autor, e não o organizador ou o editor. Para mim foi uma alegria que o meu livro tenha sido escolhido entre tantos outros", disse a poeta.

Outros sete escritores foram premiados nas demais categorias, e cada um deles ganhou R$ 12.500.

Vencedores 2012

-Prêmio Alphonsus de Guimaraens (poesia): Ana Martins Marques, por Da Arte das Armadilhas (Companhia das Letras)

-Prêmio Machado de Assis (romance): Paulo Henrique Rocha Scott, por Habitante Irreal (Alfaguara)

-Prêmio Clarice Lispector (conto):  Marcílio França Castro, por Breve Cartografia de Lugares Sem Nenhum Interesse (7Letras)

-Prêmio Sérgio Buarque de Holanda (ensaio): Cleonice Berardinelli, por Gil Vicente: Autos (Casa da Palavra)

-Prêmio Paulo Rónai (tradução): Francisco Degani, por Os Noivos (Nova Alexandria)

-Prêmio Aloísio Magalhães (projeto gráfico): Germana Gonçalves de Araújo, por Bonita Maria do Capitão (Vera Ferreira)

-Prêmio Glória Pondé (literatura infantil): Fábio Tubenchlak, por A deusa, o Herói, o Centauro e a Justa Medida (Livre Galeria)

-Prêmio Sylvia Orthof (literatura juvenil): Marco Túlio Costa, por Árvore do Medo (Formato)

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