Aquários movimentam mercado de US$200 a 300 milhões

O comércio global de espécies marinhas ornamentais é uma faca de dois gumes. Por um lado representa um dos mais promissores mercados alternativos à pesca - atualmente em declínio - movimentando entre US$200 e 300 milhões, com potencial de multiplicar estas cifras rapidamente. Por outro lado é uma das maiores fontes de pressão sobre os recifes de coral e outros ecossistemas marinhos frágeis, colocando em risco pelo menos 1.400 espécies de peixes tropicais e 500 espécies de moluscos, anêmonas e crustáceos, além dos próprios corais. Conciliar a exploração racional dos ornamentais com a proteção aos ecossistemas de origem é o maior desafio diante do Centro Mundial de Monitoramento e Conservação do Programa das Nações Unidas sobre Meio Ambiente (Pnuma-WCMC), que hoje divulgou o relatório ?Dos Oceanos para os Aquários: O Comércio Global de Ornamentais Marinhos?, em Londres, Inglaterra.A estimativa dos autores é de que pelo menos 20 milhões de peixes tropicais coloridos sejam capturados anualmente - sobretudo no Pacífico, no Sudeste da Ásia, e no Índico - para abastecer os mercados importadores da Europa, Estados Unidos e Japão. Outros 12 milhões de corais e mais 10 milhões de seres variados, entre moluscos, anêmonas e pequenos crustáceos, também estariam sendo retirados dos oceanos para acabar em aquários. ?Pela primeira vez temos uma estimativa acurada do número de seres tirados dos recifes de coral?, declarou, em nota à imprensa, o diretor do Pnuma, Klaus Toepfer. ?A coleta de peixes tropicais traz prazer a milhões e abastece uma indústria importante. Estes novos dados devem orientar a tomada de decisões mais efetivas a nível político, industrial e do consumidor, podendo representar uma valiosa arma na guerra contra a pobreza, mas também de acordo com os objetivos do Plano de Implementação da Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+10)?.A meta principal, conforme uma das autores do relatório, Colette Wabnitz, seria orientar a indústria de aquários marinhos para a reprodução e criação em cativeiro das espécies ornamentais, como já é feito nos aquários de água doce. Segundo ela, cerca de 90% das espécies de peixes destes aquários são provenientes de cativeiro e apenas 10% coletados na natureza, enquanto, entre as espécies marinhas, a quase totalidade é retirada dos oceanos.A par de causar desequilíbrio entre as populações das diversas espécies e ameaças de extinção, a coleta nos recifes também produz impactos diretos sobre os corais. A quebra por pisoteio, ancoragem ou movimentação de barcos é muito comum e, em algumas localidades da Indonésia, os coletores ainda utilizam um veneno ? cianeto de sódio ? para deixar os peixes tontos e facilitar a captura. O veneno pode matar diversas espécies de coral e, não raro, causa a morte dos próprios ornamentais coletados, após a comercialização.Além de apontar os números da devastação, o relatório do WCMC apresenta alguns estudos de caso positivos, onde a indústria de aquarismo se ajustou a medidas de proteção e se aproxima da sustentabilidade. Um destes casos é o de Sri Lanka, que exporta anualmente US$ 5,6 milhões em peixes ornamentais marinhos, empregando 50 mil pessoas, sem depauperar os estoques naturais das espécies comercializadas e mantendo os recifes em boas condições ambientais.

Agencia Estado,

01 de outubro de 2003 | 16h33

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