Aquecimento destruirá barreira de coral australiana

A Grande Barreira de Coral da Austrália pode perder a sua cobertura por volta de 2050 e, na pior das hipóteses, entrar em colapso em 2100, segundo estudo do Centro de Estudos Marinhos da Universidade de Queensland, encomendado pelo Worldwide Fund for Nature (WWF). De acordo com o relatório, a destruição da Grande Barreira de Coral é inevitável, independentemente das ações que possam ser colocadas em prática agora."No pior cenário, as populações de coral entrarão em colapso em 2100 e o restabelecimento dos corais será improvável nos 200 a 500 anos seguintes", diz o estudo chamado Implicações das Mudanças Climáticas para a Grande Barreira de Corais, que é a maior formação de corais vivos do mundo, com cerca de 2 mil quilômetros de extensão.Temperatura"Só se a média global de mudança de temperatura ficar abaixo dos 2ºC a Grande Barreira terá alguma chance de se recuperar e evitar o desastre", afirma o estudo. Os corais são muito sensíveis à temperatura e qualquer elevação, mesmo inferior a 1ºC, já causa estresse ao sistema.Foram exatamente altas de temperatura inferiores a 1ºC que coincidiram com o pior embranquecimento de corais, ocorrido em 1988. A água mais quente varre as algas que cobrem os corais - e que lhe dão cor - e, sem elas, os corais morrem e o recife desmorona. Em 1998, 16% dos corais de todo o mundo morreram, índice que subiu para 46% nos corais do Oceano Índico.Previsão de altaA previsão dos cientistas é de que a temperatura da água deve subir entre 2ºC e 6ºC neste século. "Há poucas indicações de que os corais possam se adaptar rápido o bastante para se adaptar até mesmo à menor alta de temperatura projetada", diz o estudo.De acordo com o trabalho, por volta de 2050, a Grande Barreira deve passar por estresses anuais bem maiores que os de 1998 e, em 2100, os níveis globais de estresse para os corais serão várias vezes superiores aos de 1998.Para menos de 5%"A cobertura de coral vai diminuir para menos de 5% na maioria dos recifes da Grande Barreira em meados do século, mesmo na melhor das hipóteses. Os recifes não desaparecerão, mas estarão desprovidos de coral e dominados por outras espécies menos atraentes, como algas", diz o relatório.O trabalho da Universidade de Queensland alerta ainda que os corais sofrem o impacto de outros fatores, como a pesca predatória e a poluição das fazendas costeiras.PrejuízosAs projeções indicam que a destruição da Grande Barreira poderá custar para a economia australiana o equivalente a US$ 6,2 bilhões, com a redução de 12 mil postos de trabalho já em 2020. A Grande Barreira sustenta o turismo e a indústria da pesca.Apesar das advertências, o governo do primeiro-ministro conservador John Howard não mudará de opinião e não assinará o Tratado de Kyoto, afirmou um porta-voz do Ministério do Meio Ambiente australiano.

Agencia Estado,

22 de fevereiro de 2004 | 18h56

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