Aquecimento global derrete neve do Kilimanjaro

A capa de neve que cobre o Kilimanjaro há mais de 11 mil anos, adorada por turistas e aclamada na literatura, pode desaparecer em duas décadas. É o que dizem pesquisadores que mediram uma redução de 80 % dessa capa no último século, em artigo publicado hoje na revista Science. Uma equipe internacional de geólogos - dos EUA, França, Rússia e Suíça -, com apoio da Universidade Estadual de Ohio, examinou seis amostras de gelo retiradas da montanha a 5.893 metros de altitude. Essas amostras registram grandes secas há 8.300, 5.200 e 4 mil anos. Lonnie Thompson, geólogo que coordenou a expedição ao Kilimanjaro em 2000, explica que "esse último período seco é registrado na história egípcia, cujas escritas em tumbas falam de dunas movendo-se ao longo do Nilo e populações em migração. Alguns chamam o período de primeira idade das trevas." Segundo Thompson, essa seca atingiu outras partes do mundo, além da África e, nessa época, outras civilizações na Índia, no Oriente Médio e na América do Sul entraram em colapso. De acordo com o artigo, a diminuição na capa de gelo já reduziu a quantidade de água nos rios tanzanianos. Além disso, a montanha - celebrada por Ernst Heminghway em As Neves do Kilimanjaro - é a principal atração turística da Tanzânia, que faz com que 20 mil estrangeiros visitem todos os anos esse país. A dúvida: quantos continuarão indo, com a montanha sem neve?

Agencia Estado,

18 de outubro de 2002 | 09h33

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