Aquecimento mundial 'multiplica ameaças', diz relatório

Crise global causará instabilidade econômica, política e levará milhões de imigrantes à Europa Ocidental

07 de março de 2008 | 15h57

A mudança climática está acontecendo agora e a União Européia (UE) não pode perder tempo para tomar medidas frente ao impacto que o fenômeno terá na Europa Ocidental, seus vizinhos e aliados, diz relatório preparado para a reunião dos 27 líderes de bloco, marcada para a próxima semana.   O relatório, do qual a Associated Press obteve uma cópia, refere-se à mudança climática como um "multiplicador de ameaças" que piorará as tensões e a instabilidade entre as nações, à medida que enfrentam a perda de terra fértil, de água, a queda na produção de alimentos, enchentes mais freqüentes, secas prolongadas e fontes de energia cada vez mais escassas.   O relatório para líderes europeus diz que o aquecimento global acusará não apenas crises humanitárias, mas também instabilidade política e econômica, tensões étnicas e a migração "ambientalmente induzida" de milhões de pessoas da África e do Oriente Médio para a Europa.   A liderança da UE realiza sua cúpula de primavera em Bruxelas, dias 13 e 14 de março.   Os ministros de Relações Exteriores reúnem-se na segunda-feira e farão uma primeira discussão do texto e de suas conclusões.   O relatório elaborado pelo chefe de relações exteriores e defesa da UE, Javier Solana. Autoridades européias dizem que a iniciativa de elaborá-lo foi tomada após a interrupção de entrega de gás russo para a Europa, em 2006, por conta de uma disputa com a Ucrânia.   "Estima-se que um cenário de business-as-usual para administrar a mudança climática custará á economia mundial até 20%" de sua produção anual, enquanto que "uma ação efetiva e concertada" limitaria a perda a 1%, argumenta o relatório.   O texto afirma ainda que poluidores e "economias emergentes" devem ser estimulados a assumir compromissos com um "acordo ambicioso nas Nações Unidas" - numa alusão aos EUA e a países como Brasil e China.

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