Ar limpo pode acabar com a Amazônia, dizem pesquisadores

Estudo identificou relações entre redução de gases estufa e aumento do risco de desertificação da Amazônia

REUTERS

07 de maio de 2008 | 20h14

Um ar mais limpo devido redução da combustão de carvão poderia ajudar a destruir a Amazônia neste século, segundo uma pesquisa publicada nesta quarta-feira, 7, que destaca os complexos desafios da mudança climática global.  O estudo na revista Nature identificou uma relação entre a redução das emissões de dióxido de enxofre por combustão de carvão e do aumento das temperaturas da superfície tropical do Atlântico Norte, que estimula o risco de desertificação da floresta Amazônica.  Com a floresta tropical já ameaçada pela evolução, altas temperaturas globais podem inclinar a balança, afirmam.  "Normalmente, a poluição é algo ruim. Mas neste caso, a melhora do ar pode ter levado, ironicamente, a uma seca da Amazônia", disse Peter Cox, um pesquisador da Universidade de Exeter na Grã-Bretanha, que liderou o estudo. "Isso só mostra que é preciso lidar com os gases estufa."A poluição no hemisfério norte limitou o aquecimento no Atlântico norte tropical, matendo a Amazônia mais úmida do que ela normalmente estaria. Mas com a proteção evaporando devino ao ar mais limpo e aos gases estuda, a floresta agora encara um risco de seca, segundo os pesquisadores. A Amazônia tem papel crucial no sistema climático global porque contém cerca de 10% do carbono armazenado em ecossistemas terrestres. Os pesquisadores estimaram que por volta de 2025 uma seca nas mesmas proporções poderia ocorrer a cada dois anos. Em 2060, a crise poderia ocorrer em 9 anos a cada 10 - o suficiente para tornar a Amazônia uma savana, segundo Cox. As descobertas mostram a necessidade de lutar não só com os gases estufa, mas também com a destruição direta das florestas tropicais, segundo os pesquisadores.

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