Arábia Saudita fica menos rígida com muçulmanos durante o haj

Por Ulf Laessing

REUTERS

18 Novembro 2010 | 11h04

MECA, Arábia Saudita (Reuters Life!) - Vendo o comportamento discreto da polícia religiosa saudita durante a época da peregrinação anual a Meca, fica difícil imaginar que esta é a cidade mais sagrada da religião islâmica.

O reino onde o islamismo nasceu, cerca de 1.400 anos atrás, adota uma forma rígida da "sharia" (lei islâmica), o que implica segregação entre os sexos, fechamento do comércio durante os horários de orações e proibição de que as mulheres dirijam carros.

Mas, em Meca, o cumprimento de várias dessas regras fica mais brando durante o "haj", peregrinação que todo muçulmano que tenha condições físicas deve cumprir uma vez na vida. O governo tem investido bilhões de dólares nos últimos anos para que o "haj" se torne mais seguro e confortável, e espera que muitos peregrinos voltem para seus países falando bem da Arábia Saudita.

"Temos de agradecer à Arábia Saudita pelos seus serviços. Está ficando melhor a cada ano", disse Ritha Naji, dos EUA, que participava da cerimônia de "apedrejamento do demônio", um ritual onde no passado muita gente já morreu pisoteada.

A Grande Mesquita, onde fica a Caaba - para a qual muçulmanos do mundo todo se voltam nas suas orações -, é o único lugar do reino onde homens e mulheres podem rezar juntos.

Diplomatas ocidentais dizem que essa tolerância é parte dos esforços para melhorar a imagem do país desde os atentados de 11 de setembro de 2001 nos EUA, em que vários sauditas estavam envolvidos.

O rei Abdullah se empenha para desfazer a associação entre o seu país e a militância islâmica, e promove um "diálogo inter-religioso" por intermédio da ONU.

O "haj" de 2010 - que terminou nesta semana - atraiu o número recorde de 1,8 milhão de estrangeiros, de países tão diversos como Nigéria, Rússia e Indonésia. Em muitos desses países, segue-se uma versão menos rígida do Islã.

Entidades de direitos humanos costumam criticar a Arábia Saudita pelas decapitações públicas e pela falta de liberdades políticas no regime monárquico absolutista.

Na quarta-feira, a Anistia Internacional pediu ao governo que melhore a situação da sua população imigrante, depois da denúncia de que uma empregada indonésia teria sido maltratada por sua patroa.

Mas, durante o "haj", os expatriados - principalmente egípcios, indianos e paquistaneses - recebem um tratamento bem mais brando por parte das autoridades sauditas, que se referem aos peregrinos como "hóspedes do Misericordioso".

Policiais educados orientam os peregrinos na Grande Mesquita, enquanto a polícia religiosa faz vista grossa a quem tira fotos, que há alguns anos seriam reprimidas.

Em Riad, a capital, a polícia religiosa percorre as ruas para evitar contatos entre homens e mulheres que não sejam parentes. Já em Meca, os dois gêneros se misturam tranquilamente em lojas e restaurantes. Em frente à Grande Mesquita, é possível ver homens e mulheres comendo lado a lado no chão - cena inimaginável em outros lugares do reino.

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