Aranhas em casas preocupam pesquisadores em Minas

Aranhas marrons, do gênero Loxosceles, voltaram a aparecer em casas em Belo Horizonte, algo que não ocorria há pelo menos 88 anos. Donas de um veneno poderoso que pode até matar um ser humano em casos bastante específicos, elas faziam parte de um sistema em equilíbrio, vivendo em grutas ao redor da cidade.Os primeiros casos ocorreram em 2003, em bairros, chamando a atenção de pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Eles acreditam que a mudança se deve ao desmatamento em torno da capital mineira.?As aranhas foram encontradas em casas de construção antiga, mas muito boas, em bairros de classe média alta como Serra, Cidade Jardim e Belverde?, informa Mário De Maria, coordenador do Laboratório de Aracnologia do Departamento de Zoologia da UFMG.Como elas estavam em porões, ao lado de traças e outras fontes de alimento, a suspeita dos pesquisadores se fortaleceu.?No início, a hipótese era de que elas vieram do Sul. Mas, agora, acreditamos que o desmatamento do entorno da cidade tenha alterado o equilíbrio dos locais em que elas viviam. É natural que elas busquem locais com maior quantidade de alimento?, explica De Maria.O trajeto a partir do Sul é de justificativa fácil. Em 2004, em Curitiba, foram notificados 3.724 acidentes com a aranha marrom. O pequeno animal, com tamanho aproximado de três centímetros, além de ser dócil, também tem uma picada indolor.Ela é a prova de que as aranhas menores e sem muitas cerdas costumam ser mais perigosas que outras que aparecem com freqüência como seres assustadores no mundo do cinema.?O que costuma ocorrer depois da picada é uma dermonecrose, uma espécie de ferida na pele?, explica o pesquisador da UFMG. Além disso, dependendo da quantidade de veneno injetado pelo artrópodo, e da pessoa que o recebeu, podem ocorrer sérias complicações renais.?Os problemas maiores ocorrem em crianças de até 7 anos e nos idosos?, explica De Maria. Em Curitiba, segundo o estudioso, foram registrados alguns casos de morte.Outro grupo de pesquisa mineiro, coordenado pelo professor Evanguedes Kalapothakis, está trabalhando no desenvolvimento de um soro para neutralizar o efeito do veneno da aranha no organismo humano.As espécies encontradas até agora em Belo Horizonte, L. similis, L. laeta e L. anomola, apresentam o mesmo risco para o homem.

Agencia Estado,

04 de maio de 2005 | 11h08

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