Ararinha azul de Tenerife já conhece ´namorado´ brasileiro

Depois de 24 horas de viagem, a fêmea de ararinha azul que veio de Tenerife, na Espanha, foi apresentada no fim da tarde de ontem ao macho do Criadouro Científico Chaparral, no município metropolitano de Camaragibe. Para adaptar-se, ela ficará por cerca de dez dias numa gaiola dentro do viveiro do macho. Depois será solta no viveiro. Todo o processo de contato e possível acasalamento e reprodução das aves em extinção será monitorado 24 horas por dia por um sistema de vídeo, com microcâmeras. A tentativa de acasalamento faz parte do projeto de reprodução promovido pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), que pretende reintroduzir a espécie na natureza a partir da sua procriação em cativeiro. Nativa do sertão baiano, a ararinha azul já não existe em seu hábitat natural. Em todo o mundo, o Ibama tem cadastradas 54 dessas aves. A fêmea tem 60 cm de comprimento (da cabeça ao rabo) e pesa meio quilo, mesmo tamanho do macho. Ela viajou em uma gaiola, na cabine de passageiros do avião, acompanhada por Iolita Bampi, do Ibama, até São Paulo e foi alimentada com frutas e sementes. O diretor do Ibama, José de Anchieta dos Santos e o biólogo Carlos Bianchi a acompanharam no trecho São Paulo-Recife. O acasalamento poderá ocorrer em um período de três meses a três anos. O Chaparral foi escolhido pelo sucesso da única reprodução em cativeiro já ocorrida no Brasil e da qual nasceram dois filhotes, em outubro de 2000. A mãe foi morta quatro meses depois pelo macho. A fêmea que chegou ontem nunca reproduziu. Ela tem 26 anos - o macho tem 15 - e foi cedida pela Fundação Loro Parque, que tinha a sua guarda. O Comitê Permanente para Recuperação da Ararinha Azul, criado em 1990 e do qual faziam parte criadores de vários países, foi extinto em fevereiro porque o filipino Antonio de Diós vendeu quatro ararinhas ao xeque do Catar sem o conhecimento do comitê. Desde então o Ibama passou a financiar o projeto sozinho. Numa recente reunião em Tenerife, a Fundação Loro Parque dispôs-se a voltar a ajudar o programa e anunciou que vai comprar e doar ao Ibama a fazenda Concórdia (BA), localizada na área de onde as ararinhas são oriundas. De acordo com Anchieta dos Santos, a ararinha é o animal mais valorizado no mercado internacional, valendo não menos de US$ 100 mil. Nos 9 hectares do Chaparral, Maurício Ferreira dos Santos cria 120 espécies, algumas delas raras, como a araquã (Ortalis butata) e a pomba asa-branca (Columba picazuro).

Agencia Estado,

26 de setembro de 2002 | 10h15

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