Arcebispo católico declara-se gay em livro de memórias

Rembert Weakland, que já foi o chefe da Arquidiocese de Milwaukee, renunciou após escândalo

Associated Press,

11 de maio de 2009 | 19h37

Um arcebispo católico que renunciou em 2002 em meio a um escândalo sexual e financeiro escreveu um livro de memórias que descreve sua luta com o fato de ser gay.

 

O arcebispo Rembert Weakland, que já foi o chefe da Arquidiocese de Milwaukee, "é sincero sobre sua homossexualidade, numa igreja que prefere ignorar os gays", escreveu um crítico da revista  Publisher's Weekly.

 

O livro,  Pilgrim in a Pilgrim Church: Memoirs of a Catholic Archbishop ("Peregrino Numa Igreja Peregrina: Memórias de Um Bispo Católico") deve ser lançado em junho e é descrito pelo editor como um exame, por parte de Weakland, se "seu crescimento psicológico, espiritual e sexual".

 

O Vaticano diz que homens que sentem atração "estabelecida" por outros homens não deveriam ser ordenados para o sacerdócio.

 

Weakland renunciou pouco depois de um ex-estudante de Teologia, Paul Marcoux, ter revelado, em 2002, que recebera US$ 450 mil (cerca de R$ 1 milhão) para abandonar uma acusação de violência sexual contra o arcebispo, duas décadas antes. O dinheiro veio dos cofres da diocese.

 

Marcoux veio a público no auge da crise dos escândalos de abusos sexuais cometidos por padres contra crianças . Weakland sempre negou ter cometido violência sexual, e se desculpou por ter feito o pagamento em segredo.

 

Em uma carta escrita em agosto de 1980 e obtida pelo jornal Milwaukee Journal-Sentinel, Weakland se declara emocionalmente perturbado por Marcoux e termina dizendo, "Amo você".

 

As revelações abalaram a arquidiocese, que Weakland comandava desde 1977. Mas quando ele leu uma carta de desculpas em público, os paroquianos aplaudiram-no em pé.

 

Weakland, que tem sido um herói para católicos liberais, por conta de seu ativismo social, também tratará, no livro, de seu fracasso em combater padres que abusavam de menores.

 

Em depoimento prestado em novembro de 2008, o arcebispo confessa ter devolvido padres culpados ao ministério ativo sem avisar a polícia.

 

Defensores de vítimas de abuso sexual dizem que o acobertamento, por parte de Weakland, de suas próprias atividades sexuais era parte de um padrão de segredos que incluía proteger padres culpados de comportamento criminoso.

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