Área plantada com transgênicos cresceu 12% no mundo

A área mundial plantada com soja, milho, algodão e canola geneticamente modificados cresceu 12%, ou 15 milhões de acres, para 145 milhões de acres em 2002, informa relatório do International Service for the Acquisition of Agri-biotech Applications (ISAAA). O grupo, sem fins lucrativos, que recebe recursos de uma série de entidades, entres elas a Fundação Rockefeller, Monsanto, Cargill, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) e a Organização das Nações Unidas (ONU), disse, em seu relatório anual, que mais de um quinto da área global daquelas culturas é transgênica. Quase 6 milhões de produtores de 16 países plantaram safras transgênicas em 2002, em comparação com os 5 milhões de produtores, de 13 países, de 2001. Segundo a pesquisa, mais de três quartos daqueles produtores têm poucos recursos e encontram-se em países em desenvolvimento. "Em vários casos, os produtores acreditam que as propostas da biotecnologia são a única solução viável para proteger as safras das pestes", disse o presidente da ISAAA, Clive James. Apesar da idéia de que a maior parte dos produtores que plantam transgênicos são de países em desenvolvimento, os Estados Unidos, Argentina, Canadá e China continuam sendo os maiores produtores mundiais de safras transgênicas. Os EUA foram responsáveis por 8,2 milhões de acres dos novos plantios de geneticamente modificados em 2002, mais da metade do incremento de 15 milhões de acres registrado pelo grupo. No total, o ISAAA disse que os EUA plantaram 96,4 milhões de acres de safras transgênicas no ano passado.James confirmou a previsão de que a safra geneticamente modificada de algodão da China iria somar 50% da produção doméstica em 2002. Citando a economia com pesticidas e o aumento da produtividade, o ISAAA disse que os produtores chineses que plantaram algodão Bt tiveram um aumento adicional de receita da ordem de US$ 200 por acre, ou US$ 750 milhões em escala nacional. A Índia, que oficialmente fez o seu primeiro plantio de safras geneticamente alteradas em 2002, representa um dos países que devem registrar a maior expansão da áreas de transgênicos num futuro próximo, especialmente no caso do algodão. James citou que apenas cerca de 50 mil produtores indianos plantaram pequenas áreas com algodão transgênico no ano passado, mas ressaltou que, como o país é o maior produtor mundial da fibra, há um grande potencial de crescimento.Clive James disse ainda que, mundialmente, o milho transgênico foi o que registrou o maior crescimento em 2002. A área plantada teve expansão de 27% em relação a 2001, para 30,6 milhões de acres. A área de soja registrou um crescimento menor, de cerca de 10%, em 2002. No entanto, James ressaltou que o aumento significa que, pela primeira vez da história, a área de soja transgênica alcançou cerca de 50% da área total de soja no mundo. De acordo com o ISAAA, 90,2 milhões de acres de soja geneticamente modificada foram plantados mundialmente em 2002.Respondendo às perguntas de repórteres, James citou o crescimento da animosidade entre os EUA e a União Européia (UE) por causa da moratória da UE sobre novas variedades de plantas geneticamente modificadas. Ele acredita que o impasse não deve paralisar a disseminação de safras transgênicas para países que ainda estão indecisos sobre seu uso. Ele disse ainda que mais países devem aderir ao plantio de transgênicos nos próximos anos.

Agencia Estado,

15 de janeiro de 2003 | 16h48

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