Área urbanizada ocupa apenas 0,13% do território nacional

No Brasil, um dos resultados mais surpreendentes do Mapa de Vegetação, realizado com base nas imagens do sensor Vegetation, do satélite francês Spot 4, refere-se às cidades a não à cobertura florestal. Por causa da importância do processo de urbanização no Brasil, uma das preocupações da equipe de pesquisadores da Embrapa Monitoramento por Satélite, ao processar os dados do mapa, foi calcular a área ocupada pelas cidades. "Imaginávamos uma área bem maior, considerando que cerca de 70% da população brasileira vive em cidades", diz Evaristo Eduardo de Miranda, coordenador do trabalho. "Mas chegamos a um total de 20.739 km2 ou apenas 0,13% do território nacional, considerando as áreas efetivamente urbanizadas." A região Sudeste é a que tem maior porcentual do território ocupado por cidades. Mesmo assim, chega somente a 1% ou 9.204 km2. Em seguida, vem a região Sul, com 3.982 km2 urbanizados ou 0,69% de seu território, e o Nordeste, com 3.220 km2 ou 0,21%. O Centro-Oeste tem 2.633 km2 de cidades (0,16% do território) e na região Norte, apesar da urbanização acelerada, as cidades ocupam somente 1.698 km2 ou 0,04% da área total. É a primeira vez que se tem uma medida da extensão ocupada pelas cidades no País. Os dados, até então disponíveis, davam conta apenas da população urbana ou rural e de estimativas de área baseadas em declarações ao Censo. Os números do Vegetation indicam a intensidade da verticalização e adensamento das cidades. "Também fizemos uma comparação entre os dados relativos a áreas agropecuárias, declarados ao censo, e os números que obtivemos com o satélite, para todo o País", acrescenta Miranda. A correlação entre eles foi muito grande, ou seja, as imagens do satélite batem com as declarações de áreas cultivadas e utilizadas como pastagem." A maior diferença foi registrada na região Nordeste, onde a área declarada ao censo como pastagem era bem maior do que a verificada pelo satélite. "Mas atribuo isso a diferença de interpretação, entre o uso da terra e a cobertura vegetal", pondera o pesquisador. "No Nordeste, a caatinga é considerada pastagem, porque o gado é efetivamente criado solto em área de vegetação natural. E no estudo que fizemos consideramos caatinga como vegetação natural." Outra diferença verificada foi nos números da região Sudeste, onde a excessiva fragmentação da vegetação natural não pode ser corretamente classificada pelo satélite, por causa da baixa resolução, de 1 km. Em muitos casos, optou-se por uma classificação intermediária, como mosaico de agricultura e floresta, sem ter condições de medir as pequenas áreas de cada um.

Agencia Estado,

31 de março de 2003 | 10h07

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