Arqueóloga quer museus a céu aberto no sertão

A arqueóloga Maria Beltrão quer espalhar museus de pré-história no sertão baiano, ao redor do Rio São Francisco, onde existem sítios com material datado de 11 mil a 270 mil anos (Período Pleistoceno). O primeiro foi aberto em 1995, em Central, na margem direita, e o próximo será inaugurado no mês que vem, em Angical, do outro lado do rio.Até 2006, virão os de São Desidério e Luiz Eduardo Magalhães, também na margem direita. No fim da semana, ela viaja para lá. Antes disso, nesta quarta-feira, recebe o título de Chevalier des Arts et des Lettres, maior comenda do Ministério da Cultura da França, pelo trabalho no Museu Nacional da Quinta da Boa Vista. Os museus serão unidades avançadas de pesquisas da instituição.RecursosA descoberta desses sítios, nos anos 80, permitiu contar como era o Brasil milênios atrás. Numa área que vai da Chapada Diamantina à divisa com o Tocantins, foram achados ossos e desenhos rupestres de animais pré-históricos, além de artefatos fabricados pelos ancestrais do homem que viviam na região. Foi ainda possível restabelecer parte do cotidiano.No primeiro museu, o de Central, há painéis com reproduções desses animais e parte do material encontrado. Para o de Angical, ela recebeu R$ 60 mil do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) e da Agência Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). A manutenção e os funcionários serão pagos pelos governos locais.Arqueologia histórica"Contamos com o apoio das prefeituras, que são o esteio de qualquer pesquisa arqueológica. Há muitos anos defendo que cada município tenha um arqueólogo, pois só assim os sítios serão preservados", diz Maria Beltrão.Além de contar a pré-história, ela pretende também, nesses museus, incluir o que ela chama de arqueologia histórica, ou seja, recriar a vida das pessoas após a invenção da escrita ou, no caso do Brasil, depois da chegada dos portugueses.

Agencia Estado,

13 de julho de 2004 | 16h51

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