Takeshi Inomata/ via REUTERS
Takeshi Inomata/ via REUTERS

Arqueólogos descobrem a estrutura mais antiga feita pelos maias

Para revelar a data estimada da construção, equipe de pesquisadores usou um sistema de detecção de luz e distância a laser

EFE, O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2020 | 21h36

Um grupo internacional de arqueólogos encontrou no estado de Tabasco, no México,  a maior e mais antiga estrutura cerimonial construída pelos maias até hoje, descoberta que revela a importância do trabalho comunitário desde os primeiros momentos dessa civilização.

Conforme a revista Nature publicou nesta quarta-feira, 4, a estrutura, chamada Aguada Fénix, consiste em uma plataforma elevada entre 10 e 15 metros, que se estende por 1,4 quilômetros, com nove amplas calçadas.

A estrutura, asseguram os pesquisadores, data de 800 a 1.000 antes de Cristo, ultrapassando o centro cerimonial de Ceibal (Guatemala), considerado por sua construção a partir de 950 aC., o mais antigo enclave maia até hoje.

Para revelar a data estimada da construção, a equipe usou um sistema de detecção de luz e distância a laser (Lidar, em inglês) para distinguir as formas tridimensionais dos restos arqueológicos, além de um teste de escavação e datação por radiocarbono.

"Esta área é desenvolvida, não é selva; as pessoas viveram ali, mas esse local era desconhecido porque é muito plano e enorme. Parece uma paisagem natural. Mas ao conhecê-lo, você descobre que é muito bem planejado ", disse o  professor da Universidade do Arizona Takeshi Inomata, um dos principais autores do estudo.

A descoberta, segundo Inomata, marca uma grande mudança na história da Mesomaérica e terá inúmeras implicações. Construído por muitas pessoas e sem indicadores claros de desigualdade social acentuada, como esculturas de indivíduos com alto status, o monumento sugere que o trabalho comunitário foi mais importante do que se acreditava no desenvolvimento inicial da civilização maia. "Sempre se debateu se a civilização olmeca levou ao desenvolvimento da civilização maia ou se os maias desenvolveram independentemente", enfatizou Inomata.

O estudo, que se concentra em uma área-chave de interação entre as duas comunidades, aponta que a Aguada Fénix foi construída durante um período de vácuo de poder, estágio em que eles foram capazes de trocar novas ideias, como construções ou estilos arquitetônicos em várias regiões do sul da Mesoamérica.

Segundo os pesquisadores, o fato de construções como essa terem sido realizadas antes do esperado, quando a sociedade maia apresentava um menor grau de desigualdade social do que o registrado em estágios posteriores, fará com que processos de criação sejam repensados. "Não é apenas a organização social hierárquica com a elite que possibilita monumentos como esse", disse Inomata. "Esse tipo de entendimento nos oferece implicações importantes para a capacidade e o potencialde grupos humanos. Pode não ser necessário ter um governo bem organizado para realizar esses grandes projetos. As pessoas podem trabalhar juntas para alcançar resultados surpreendentes".

Os arqueólogos continuarão as pesquisas na área e esperam coletar mais informações no futuro sobre áreas residenciais próximas a Aguada Fénix.

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