Arqueólogos descobrem a mais antiga tumba em pirâmide no México

Ela pode ser até 1.000 anos mais antiga que a mais conhecida tumba piramidal dos maias

18 Maio 2010 | 14h49

Visão do interior da tumba de 2.700 anos encontrada no sul do México. Bruce Bachand/AP

 

Arqueólogos do sul do México anunciaram a descoberta da tumba de 2.700 anos de um dignatário dentro de uma pirâmide, e que pode ser o Amis antigo sepultamento do tipo já documentado na América Central e do Norte.

 

A tumba contém um homem de cerca de 50 anos, enterrado com colares de jade, artefatos de pirita e obsidiana e objetos de cerâmica. O arqueólogo Emiliano Gallaga disse que a tumba data de entre 500 e 700 a.C..

 

Com base na camada de solo onde a tumba foi encontrada e em sua incomum estrutura de madeira, "acreditamos que esta é uma das mais antigas descobertas do uso da pirâmide como tumba, não apenas como local de adoração religiosa ou templo", disse Gallaga.

 

As culturas da América pré-hispânica construíam pirâmides como representações dos níveis entre o submundo e o céu. O ponto mais alto abrigava um templo, normalmente.

 

Esta tumba foi encontrada num local construído por índios zoque em Chiapa de Corzo, no sul do Estado de Chiapas. Ela pode ser até 1.000 anos mais antiga que a mais conhecida tumba piramidal do governante maia Pakal, no sítio arqueológico de palenque, também em Chiapas.

 

O homem - provavelmente um sacerdote ou governante de Chiapa de Corzo - foi sepultado numa câmara de pedra. Marcas na parede indicam que uma estrutura de madeira foi usada para criar  a tumba, mas o material desapareceu há tempos, esmagado pelo peso da pirâmide de pedra acima.

 

O esuqeeleto da mulher encontrada no interior da tumba de Chiapas. Bruce Bachand/AP

 

Arqueólogos haviam começado a escavar a pirâmide em abril, para estudar a estrutura interna. Pirâmides frequentemente  eram erguidas em camadas, uma sobre a outra. na semana passada, chegaram à tumba, um espaço de 4 por 3 metros, cerca de 6 metros abaixo do topo da pirâmide.

 

O corpo de uma criança de 1 ano estava depositado com cuidado sobre o corpo do homem dentro da tumba, enquanto que o cadáver de um jovem de 20 anos estava jogado, talvez a vítima de um sacrifício durante o funeral.

 

O homem mais velho tinha colares de jade e âmbar, além de braceletes e enfeites de pérola. Seu rosto estava coberto com o que pode ter sido uma máscara mortuária de obsidiana. Nas proximidades foi encontrada a tumba de uma mulher, também de cerca de 50 anos, e com ornamentos similares.

 

Os ornamentos - alguns importados da Guatemala - e cerca de 15 vasos de cerâmica mostram influência da cultura olmeca, considerada a "mãe cultural" da região.  A descoberta traz a possibilidade  de que as pirâmides olmecas também contenham tumbas.

 

As pirâmides olmecas, embora sejam conhecidas, não foram escavadas, em parte porque a umidade da costa do Golfo do México não ajuda na preservação de restos humanos.

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