Arqueólogos descobrem sala de jantar giratória de Nero

A suposta sala de jantar giratória, com diâmetro de 16 metros, repousava sobre um pilar de 4 metros de largura

Associated Press,

29 Setembro 2009 | 18h07

Nero não foi apenas um imperador romano; ele também pode ter sido o inventor do restaurante giratório. Arqueólogos apresentaram, nesta terça-feira, 29, o extravagante salão de jantares de Nero, um espaço circular que girava dia e noite para impressionar os convidados do imperador.

 

O cômodo, parte do Palácio Dourado de Nero, uma residência luxuosa construída no primeiro século da era comum, parece ter sido construído para o entretenimento de autoridades e outras figuras importantes, disse a arqueóloga Françoise Villedieu. O imperador reinou de 37 a 68.

 

Arqueóloga explica descoberta diante do pilar que sustentava a sala giratória. Domenico Stinellis/AP

 

A escavação, até agora, revelou as fundações da sala, o mecanismo giratório por baixo e parte de uma área anexa, provavelmente a cozinha.

 

"Isso não se compara a nada que conheçamos da arquitetura romana antiga", disse Françoise  a jornalistas que visitaram a escavação.

 

Ela disse que a localização da descoberta, no topo do Monte Palatino, a estrutura giratória e referências a ela em antigas biografias de Nero tornam a atribuição ao imperador muito provável.

 

A estrutura parcialmente escavada é parte da residência suntuosa, também conhecida por seu nome latino, Domus Aurea, que se ergueu sobre as ruínas do incêndio que destruiu Roma em 64.

 

A suposta sala de jantar giratória, com diâmetro superior a 16 metros, repousava sobre um pilar de 4 metros de largura e quatro mecanismos esféricos que, provavelmente com a energia de água corrente, faziam girar a estrutura.

 

O biógrafo e historiador latino Suetônio, que produziu biografias de 12 governantes romanos, refere-se à sala de jantar como um lugar que girava "dia e noite, acompanhando o ritmo do céu".

 

Angelo Bottini, a principal autoridade do governo de Roma para assuntos arqueológicos, disse que o teto da estrutura giratória pode ter sido o descrito por Suetônio, que relatou painéis de marfim que deslizavam para derramar flores e perfume sobre os convidados.

 

Descrito por Suetônio como um dos governantes mais cruéis, depravados e megalomaníacos de Roma, Nero não desfrutou por muito tempo do Palácio Dourado. A obra foi completada no ano 68, o mesmo em que o imperador cometeu suicídio, em meio a um a revolta.

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