Tony Gentile/Reuters
Tony Gentile/Reuters

Arqueólogos encontram a mais antiga pintura de apóstolos de Jesus

Imagens foram encontradas em corredor de catacumbas na Itália e pintadas entre séculos IV e V

Philip Pullella, da Reuters

22 Junho 2010 | 15h49

Arqueólogos e restauradores, usando nova tecnologia de raios laser, descobriram o que acreditam ser a mais antiga pintura do rosto dos apóstolos de Jesus.

 

As imagens, num corredor das catacumbas de Santa Tecla, perto da Basílica de São Paulo, fora das muralhas da Roma antiga, foram pintadas no fim do século IV ou início do V.

 

Arqueólogos acreditam que as imagens podem ser algumas das que mais influenciaram representações posteriores da face dos primeiros seguidores do cristianismo.

 

"Estas são as primeiras imagens que conhecemos do rosto desses apóstolos", disse o arqueólogo encarregado das catacumbas de Roma, Fabrizio Bisconti.

 

Os afrescos já eram conhecidos, mas os detalhes vieram à luz durante o projeto de restauração que começou há dois anos e cujos resultados foram anunciados nesta terça-feira.

 

As imagens incluem São Pedro, Santo André e São João, que estavam entre os 12 apóstolos, e São Paulo, que se converteu após a morte de Jesus.

 

As pinturas têm as mesmas características de imagens posteriores, como a testa alta e enrugada de Paulo, a cabeça começando a ficar calva e a barba pontuda. Isso indica que essas figuras podem ter sido as que fixaram o padrão.

 

Os quatro círculos, com cerca de 50 centímetros de diâmetro, estão no teto da sepultura subterrânea de uma nobre que, acredita-se, converteu-se ao cristianismo no mesmo século em que o imperador Constantino legalizou a religião.

 

Os afrescos estavam cobertos por uma espessa pátina de carbonato de cálcio, causada pela umidade extrema e pouca circulação do ar.

 

"Nós nos demoramos, fazendo uma análise extensiva antes de decidir qual técnica usar", disse Barbara Mazzei, que chefiou o projeto. Ela disse que o laser foi usado como um "bisturi óptico" para fazer o carbonato de cálcio cair sem prejudicar a pintura.

 

"O laser criou uma espécie de pequena explosão de vapor ao interagir com o carbonato de cálcio, para fazê-lo se desprender da superfície", disse ela.

 

O resultado deu uma surpreendente clareza a imagens que, antes, eram borradas e opacas.

As rugas na testa de São Paulo, por exemplo, são claras e a brancura da barba de Pedro ressurgiu.

 

Outras imagens bíblicas, como Jesus ressuscitando Lázaro ou Abraão preparando sacrifício de Isaac também estão muito mais claras e brilhantes.

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