Arquidiocese de Chicago paga mais US$ 12 milhões por abusos

Quantia foi usada para conseguir acordos em 16 processos; Igreja pagou US$ 65 milhões em acordos nos EUA

AP

12 de agosto de 2008 | 17h57

A Arquidiocese de Chicago disse nesta terça-feira, 12, que chegou a um acordo para pagar mais de US$ 12,6 milhões (R$ 20,4 milhões) para finalizar processos de 16 pessoas que acusam padres de abuso sexual, e tornou público um depoimento de um dos maiores líderes da igreja nos Estados Unidos.  "Espero que esses acordos ajudem os sobreviventes e suas famílias a seguir em frente", disse o cardeal Francis George, que é o arcebispo de Chicago, em uma declaração separada, em que também se desculpa pelos abusos.  "Nós devemos continuar a fazer tudo em nosso poder para assegurar a segurança das crianças sob nosso cuidado", disse.  Quatorze dos casos envolviam abuso sexual por 10 padres diferentes, e dois relacionados ao reverendo Daniel J. McCormack, que se declarou culpado pelo abuso de cinco crianças.  A arquidiocese agora fez um acordo em quatro dos cinco processos do caso de McCormack. A arquidiocese, até agora, pagou US$ 65 milhões em acordos de cerca de 250 processos durante os 30 anos passados, disse seu chanceler, Jimmy Lago. A mediação continua em cerca de duas dúzias de casos, afirmou.  Os últimos acordos foram alcançados através de um processo de mediação, no qual o próprio cardeal deu um longo depoimento.  Em sua fala, George respondeu às perguntas de um advogado sobre porque os padres acusados de abuso não perderam suas ordens.  Ele reconheceu que não agiu quando o conselho da arquidiocese recomendou que McCormack perdesse as ordens dois meses depois de ter sido preso em 2005. "Eles me deram esse conselho sim, e eu gostaria muito de tê-lo seguido com todo o meu coração." Na época, disse George, ele "pensou que eles não tinham terminado a investigação - eles não haviam considerado todas as evidências." Apesar do acordo, a requerente Therese Albrecht, de 48 anos, disse: "Não é um dia feliz para mim." Ela acrescentou que teve que fazer terapia e chegou a tentar se suicidar, depois que foi estuprada, dos oito aos onze anos, pelo reverendo Joseph R. Bennett. Ela disse que não denunciou o abuso até quando adulta e, então, sentiu que a arquidiocese não acreditava nela.  Bennett foi removido da ordem em 2006, dois anos depois da acusação de Therese.

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