Acervo Fundação Biblioteca Nacional
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Artigo: Como chegamos até aqui? Pandemias e carnavais

Enquanto positivistas não avistavam micróbios e ligas anti-máscaras tramavam motins, nos fronts de batalha, máscaras de gás protegiam soldados de ataques químicos e vacinas imunizavam tropas contra diferentes males.

Igor Fonseca e Stevens Rehen*, O Estado de S.Paulo

13 de fevereiro de 2021 | 14h00

Na primavera boreal de 1918, uma doença misteriosa e altamente contagiosa fazia vítimas entre recrutas da base de treinamento militar de Fort Riley, Kansas, Estados Unidos. Como uma onda, atravessou o oceano com os doughboys rumo aos campos de batalha na Europa. Na rajada do vento, se alastrou pelas trincheiras, soprou barricadas e bafejou o ar dos escombros. Pelotões inteiros sucumbiam incapazes de respirar. Nem morfina, fenacetina, epinefrina, ópio, rum ou cocaína. Não havia ‘pílula 9’ nem panaceia para tal mal. A primeira guerra mundial viralizava algo mais letal que tiro, porrada e bomba.

Para manter a chama das tropas em fogo cruzado, comandantes das pátrias armadas censuravam, em cortinas de fumaça, a notícia bombástica. Em primeira mão, virou manchete na Espanha, país neutro na guerra que viu a febre sair das trincheiras e abater toureiros em Madrid. Extra! A granada gutemberguiana deflagrada pela imprensa espanhola enviava garrafas aos náufragos e, no estilhaço, batizava a mãe de todas as pandemias.

Enquanto autoridades brasileiras tratavam com descaso as notícias que chegavam de além-mar, a todo vapor, a gripe espanhola cruzava o Atlântico em navios vindos do velho mundo para desembarcar no país sem taxa alfandegária. Recife, Salvador e Rio de Janeiro abraçaram a moléstia de cais abertos. Em alguns dias, focos da doença se espalhavam por São Paulo e outras cidades da federação. Não era mais possível conter a ‘invasão da influenza hespanhola’.

A peste conquistava a capital federal sem poupar jovens, pobres ou ricos. Embora ricos tivessem mais condições de se cuidar ou fugir para fazendas no interior, não havia alfaiates para tantos paletós de madeira. Sacos pretos pendurados nas janelas indicavam desconfortáveis cadáveres sentados nos sofás à espera da carrocinha funerária. Nas ruas, defuntos vazando chorume aguardavam impacientemente o caminhão de lixo. Covas rasas e valas coletivas, abertas às pressas, enterravam, sem preces, sem flores, sem choro nem vela. Por ossos do ofício, coveiros com os pés na cova abriam vagas de trabalho e a polícia abria caçada em busca de mão de obra para a última pá de cal.

A espanhola marcou a infância do mais influente dramaturgo brasileiro. Nelson Rodrigues, o anjo pornográfico, então menino recém-chegado de Recife à Aldeia Campista, viu pelo buraco da fechadura a morte como ela foi. Em memórias publicadas em crônicas no jornal Correio da Manhã, em 1967, e compiladas no livro ‘A menina sem estrela’, o escritor resgata lembranças e assina um dos mais dramáticos relatos da época.

‘A gripe foi justamente a morte sem velório. Morria-se em massa. E foi de repente. De um dia para o outro, todo mundo começou a morrer. Os primeiros ainda foram chorados, velados e floridos. Mas quando a cidade sentiu que era mesmo a peste, ninguém chorou mais, nem velou, nem floriu. O velório seria um luxo insuportável para os outros defuntos […] Durante toda a Espanhola, a cidade viveu à sombra dos mortos sem caixão.

Morrer na cama era um privilégio abusivo e aristocrático. O sujeito morria nos lugares mais impróprios, insuspeitados: na varanda, na janela, na calçada, na esquina, no botequim. Normalmente, o agonizante põe-se a imaginar a reação dos parentes, amigos e desafetos. Na Espanhola não havia reação nenhuma. Muitos caíam rente ao meio-fio, com a cara enfiada no ralo. E ficavam lá, estendidos, não como mortos, mas como bêbados. Ninguém os chorava, ninguém. Nem um vira-lata vinha lambê-los. Era como se o cadáver não tivesse nem mãe, nem pai, nem amigo, nem vizinho, nem ao menos inimigo.

[…] Vinha o caminhão de limpeza pública, e ia recolhendo e empilhando os defuntos. Mas nem só os mortos eram assim apanhados no caminho. Muitos ainda viviam. Mas nem família, nem coveiros, ninguém tinha paciência. Ia alguém para o portão gritar para a carroça de lixo: Aqui tem um! Aqui tem um! E, então, a carroça, ou o caminhão, parava. O cadáver era atirado em cima dos outros. Ninguém chorando ninguém.

Se os próprios familiares não mais tinham ânimo para rituais, os carregadores muito menos. Nem para esperar o desfecho da morte. E o homem da carroça não tinha melindres, nem pudores. Levava doentes ainda estrebuchando. No cemitério, tudo era possível. Os coveiros acabavam de matar, a pau, a picareta, os agonizantes. Nada de túmulos exclusivos. Todo mundo era despejado em buracos, crateras hediondas. Por vezes, a vala era tão superficial que, de repente, um pé florescia na terra, ou emergia uma mão cheia de bichos.’ [trechos de ‘Memórias’, de Nelson Rodrigues, 1967. Ed. Correio da manhã]

Nas rotas remotas dos grandes tubarões, submarinos alemães torpedeavam navios mercantes de bandeira brasileira, levando à pique toneladas de café do convênio de Taubaté e afundando a economia da república do café com leite. Em terras nada firmes, a população assustada e desorientada era acanhoada por fake news que disseminavam mentiras conspiratórias em bom português. Torpedos e barrigas empurravam o país para a sangrenta batalha das toninhas.

‘[…] esta moléstia é uma criação dos alemães que a espalham pelo mundo inteiro, por intermédio de seus submarinos, [...] nossos oficiais, marinheiros e médicos de nossa esquadra, que partiram há um mês, passam pelos hospitais do front, apanhando no meio do caminho e sendo vitimados pela traiçoeira criaçãobacteriológica dos alemães, porque, em nossa opinião, a misteriosa moléstia foi fabricada na Alemanha, carregada de virulência pelos sabichões teutônicos, engarrafada e depois distribuída pelos submarinos que se encarregam de espalhar as garrafas perto das costas dos países aliados, de maneira que, levadas pelas ondas para as praias, as garrafas apanhadas por gente inocente espalhem o terrível morbus por todo o universo, desta maneira obrigando os neutros a permanecerem neutros.’ [artigo publicado em ‘A Careta’, n. 537, 5 de outubro de 1918, p. 31]

Sem fact checking, gazetas propagavam receitas milagrosas para miseráveis de boa fé que não dispunham de saúde pública e dependiam de santas-casas de misericórdia. Caldo de galinha, queima de alfazema, pitadas de tabaco, bala de ervas, canela, mel, limão e cachaça eram vendidos como promessas de salvação para o castigo de Deus ou do Diabo. De viés, aos fiéis e infiéis, o governo distribuía generosamente sal de quinino, medicamento usado no tratamento da malária. Entre a inocente canja caipira e a tônica quinina sem efeito, a caipirinha se consagrava como santo remédio.

Além da rebordosa, corria à boca miúda que, na calada da noite, servas de Deus serviam um certo chá da meia-noite que escancarava a porta do reino dos céus para pobres-diabos espanholados que entulhavam os ambulatórios. A tal infusão venenosa, espécie de eutanásia em xícara, seria a dose de caridade que liberava leitos ocupados no hospital da irmandade. Em meio ao pandemônio, o povo estava à deus-dará. O medo da morte abria alas para a marcha de Chopin.

O auge da crise sanitária levou à demissão do diretor-geral de saúde pública que dizia que a gripe era benigna e que tudo não passava de ‘histeria da imprensa’. Aquela altura do campeonato, o país não tinha estratégia nem liderança.

Convocado de urgência pelo presidente da república, o pesquisador Carlos Chagas, então diretor do Instituto Oswaldo Cruz, assumiu o comando do combate à pandemia. Assim, de primeira, transformou sedes de agremiações em hospitais emergenciais, instalou postos de atendimento em estações de trem, incentivou a pesquisa científica e liderou uma campanha de esclarecimento junto aos veículos de comunicação. No entanto, médicos, enfermeiros, cientistas e sanitaristas entravam em campo para, além das quatro linhas, enfrentar um adversário invicto reforçado por pachecos insanos, barulhentos e convictos: os negacionistas. A epidemia da ignorância chegava ao pico e ameaçava reeditar uma nova Revolta das Vacina.

De certo, epidemias se propagam mais facilmente na ignorância e desencadeiam antagonismos sociais e políticos. Em face ao desastre, frente ao evidente colapso das instituições públicas de saúde e à ineficácia das medidas terapêuticas de combate ao mal que assolava o mundo, o bom-senso seria um ideal inatingível.

Enquanto positivistas não avistavam micróbios e ligas anti-máscaras tramavam motins, nos fronts de batalha, máscaras de gás protegiam soldados de ataques químicos e vacinas imunizavam tropas contra diferentes males. Raios-X com feixes de elétrons revelavam tecidos humanos lesionados por explosivos fabricados a partir da síntese da amônia, ou síntese de Haber-Bosch, digna de prêmio Nobel. Sonares guiavam submarinos com torpedos autopropelidos. Aeronaves mapeavam territórios. Telefones sem fio encurtavam distâncias. Tanques blindados acuavam inimigos e ogivas voadoras forçavam armistícios. A Terra dava voltas em torno do sol e a guerra era definida pela ciência. De fato, o conhecimento científico é usado por todos que transitam entre o céu e o inferno.

Às 11 horas e 11 minutos do dia 11 do 11 de 1918, em números credores da cabala judaica, o império alemão hasteava bandeira branca, amor, não posso mais. Enfim, pombos-correios da paz revoavam livres pelos ares da Europa. E nas voltas do mundo, nas badaladas dos sinos e nos giros das baianas, de mal súbito, a praga também dava trégua nas estâncias do Brasil. A inglória batalha sanitária de Chagas & cia coincidia com o cessar-fogo da gripe espanhola. Após três meses de primavera sem flores, dois terços da população foi infectada e 35 mil subestimadas carcaças foram encovadas sem crisântemos.

Como colonizador navegante, a cepa mutante do vírus influenza, subtipo do H1N1, continuaria a desbravar os sete mares. ‘La dansarina’, ‘a pneumónica’ ou ‘the spanish lady’, até final de 1920, atracaria em todos os continentes, avançaria como capitania em territórios hereditários, contaminaria metade da população mundial e exterminaria 50 milhões de pessoas em todas as línguas. Entretanto, no país do carnaval, a palavra ‘gripe’ faria jus ao seu significado original registrado em carta ao filósofo Voltaire, em 1743: ‘fantasia súbita’. E, nos confins de 1918, quem não morreu na espanhola já aquecia os tamborins para descolonizar de vez a moléstia reinante, coroar o novo rei Momo e fazer do tédio da morte a maior festa de todos os tempos.

No dia primeiro de março de 1919, explodia o "carnaval da ressurreição". Blocos, cordões, ranchos, corsos e grandes sociedades gozavam da pandemia. Como escárnio, a xícara do chá da meia-noite desfilava pelas avenidas em carro alegórico. Numa vingança ‘libertária e libertina’, a espanhola virou fantasia erótica. Entre coxas, borrifadas de lança-perfumes e batalhas de confete, pierrots e colombinas geravam os ‘filhos da gripe’.

Pouco mais de um século depois ou cem voltas em torno do sol, mais precisamente em fevereiro de 2020, estávamos dando voltas em torno de nós mesmos, girando no meio da multidão, atentos ao perigo que se espalhava pelo mundo mas ainda sem máscara de proteção. Vestíamos apenas fantasias de folião no fogo do carnaval de rua que precederia um ano de cinzas. Corações insistiam em pulsar na bateria do bloco da paixão, mas, no fundo do cordão, sabíamos que estávamos pela bola preta. Os rumores chegavam na velocidade da luz da fibra óptica e um novo vírus mortal aterraria no país nas asas do avião. A pior ressaca seria de álcool em gel.

Hoje sabemos bem mais que ontem e muito menos que amanhã. O ano de 2020 representou oportunidade sem precedentes de observarmos a ciência em ação. Aproximadamente 6% de toda a produção científica mundial versou sobre a doença. Em pouco tempo, pesquisadores sequenciaram o genoma do patógeno, desvendaram a natureza da infecção e de sua resposta imunológica associada e desenvolveram novas vacinas.

Apesar dos cortes históricos de recursos, nossas universidades e instituições de pesquisa ficaram entre as que mais geraram conhecimento sobre a covid, mais precisamente na 11ª posição mundial. Mais de 4 mil artigos científicos foram assinados por pesquisadores do país.

À medida que as lentes da ciência ampliam nosso campo de visão sobre passado, presente e futuro, nos defrontaremos com desafios ainda maiores. Se há evidências que cerca de 100 mil mortes por covid-19 foram consequência da herança genética de neandertais, quantos milhões morrerão em decorrência de nossas ações inconsequentes?

Urge reconhecer que a pandemia do coronavírus é resultado direto das práticas predatórias humanas. Assim como a síndrome respiratória aguda grave [2002], a gripe aviária [2004], a gripe suína [2009], a síndrome respiratória do Oriente Médio [2012], o Ebola [2014– 2015], o zika vírus [2015-2016] e a febre do Nilo Ocidental [2019], a covid-19 é uma doença zoonótica, isto é, transmitida de animais para seres humanos. A

degradação ambiental e as múltiplas ameaças aos ecossistemas e à vida selvagem, incluindo tráfico de animais e espécies invasoras, tornam esses surtos cada vez mais frequentes. A cada ano surgem, em média, três novas doenças infecciosas e a maior parte delas é zoonótica. Será essa a verdadeira revolução dos bichos? Nós, humanos, somos o vírus do planeta? Nessa pegada, onde vamos parar? Onde vamos amarrar o nosso burro? Quanto tempo o tempo tem?

No Doomsday Clock, relógio do juízo final ou relógio do apocalipse, as doze badaladas noturnas nunca estiveram tão perto. Esse cuco simbólico, mantido desde 1947 pelo comitê de diretores do Bulletin of the Atomic Scientists da Universidade de Chicago, é uma analogia analógica onde ponteiros à meia-noite representariam a completa destruição da raça humana. Nas frações do segundo, o perigo existencial das mudanças climáticas se apresenta mais ameaçador que uma guerra nuclear e o cuco se agita quando a batalha cibernética da informação, alimentada por líderes globais, prejudica a capacidade de resposta da tiazinha do whatsapp. Tic-tac ou TicTok? O antropoceno inaugura um tempo quando não temos mais tempo a perder e, enquanto se espera pela vida eterna num celular de obsolescência programada, nuvens de fumaça das queimadas da Amazônia fizeram o dia virar noite em São Paulo num cenário apocalíptico. Mas se o juízo final é a hora de prestar contas, dou a mão à palmatória. A ciência faz parte disso, da areia ao silício.

A despeito de sua origem crítica e revolucionária e de tudo de positivo que foi criado a partir do conhecimento científico, no bulbo da ampulheta, a ciência assumiu um papel funcional numa civilização utilitária, pragmática e predatória. Tomamos posse da natureza e subvertemos a ordem natural das coisas. Construímos torres de marfim no caminho dos elefantes. Manipulamos fórmulas secretas e, amiúde, cedemos a interesses escusos. Armamos soldados em guerras santas e ajudamos a vender pílulas de salvação. Desenvolvemos técnicas e ferramentas tecnológicas para distrair ingênuos. Fomos prepotentes, arrogantes, excludentes, racistas, machistas e, em nossas cátedras, reproduzimos padrões hierárquicos de poder. E se hoje temos dificuldade de provar que imagens de satélites são evidências, fica evidente que nos afastamos do povo.

No país de Adolfo Lutz, Vital Brazil, Oswaldo Cruz, Juliano Moreira, Carlos Chagas, Hertha Meyer, Mário Schenberg, Maria Judith Zuzarte Cortesão, Maria Laura Mouzinho, César Lattes, Johanna Dobereiner, Milton Santos, Bertha Becker, Elisaldo Carlini, entre tantos outros imortais, a maior parte da população desconhece suas extraordinárias contribuições à humanidade. Sem relativizar, evocamos Einstein para além das pesquisas.

‘A comunidade dos pesquisadores é uma espécie de órgão do corpo da humanidade. Esse órgão produz uma substância essencial à vida, que deve ser fornecida a todas as partes do corpo, na falta da qual ele perecerá. Isso não quer dizer que cada ser humano deva ser atulhado de saberes eruditos e detalhados, como ocorre frequentemente em nossas escolas, nas quais [o ensino das ciências] vai até o desgosto. Não se trata também do grande público decidir sobre questões estritamente científicas. Mas é necessário que cada ser humano que pensa tenha a possibilidade de participar com toda lucidez dos grandes problemas científicos de sua época, mesmo se sua posição social não lhe permite consagrar uma parte importante de seu tempo e de sua energia à reflexão científica. É somente quando cumpre essa importante missão que a ciência adquire, do ponto de vista social, o direito de existir.’ [Albert Einstein, Berliner Tageblatt, 20 de abril de 1924]

Se a zero hora é o marco zero de um novo dia, precisamos reinventar o amanhã sem perder de vista o passado que nos trouxe até aqui.  Superar os combustíveis fósseis queimando o óleo da meia-noite para rever a biblioteca colonial que estrutura nossa visão de mundo. Entender a origem da predação e os rumos de uma cruel ação civilizatória inscrita na barbárie dos intermináveis séculos de escravidão e etnocídios. Resgatar a pertinência da metafísica e estabelecer novas formas de produção de conhecimento a partir do diálogo entre os diferentes saberes. E assim, considerar, por exemplo, a contribuição dos pajés na medicina do futuro. Salve Sidarta Ribeiro!

A terra da felicidade imaginada é uma brilhante constelação de culturas no coração do hemisfério sul que não estava descrita no catálogo de Ptolomeu. Então, sem utopia, menos antidepressivos e mais cipó para expandir nossa percepção de liberdade. Vivas ao folclore dos trópicos utópicos. Iara, Boitatá, Vitória-Régia, Saci, Boto, Caipora e Curupira são verdadeiros protetores da mata e, por incrível que pareça, até a Mula sem-cabeça e o chupa-cabra são mais amigáveis que o chupa sangue de medula óssea do trabalhador. Em tempos nebulosos, velozes e furiosos de relações líquidas e gasosas, unir passado e presente de forma original pode permitir o surgimento de algo novo que nos ajude a atrasar o relógio do apocalipse ou escapar do dilúvio como Tamandaré. Alô Dr. Brown, libera a chave do DeLorean que a gente quer voltar pro futuro! E que saudade de nosso futuro!

A vacina por si só não nos salvará, nem tampouco a inteligência artificial, se continuarmos no caminho da ignorância, seguindo os mandamentos de um sistema excludente que manipula pobres desejos e cobra caro por isso. Na era da informação, não podemos nos calar, muito menos esperar que robôs falem por nós. E nesse mundo distópico, a única certeza é garantir a produzir boa ciência, cada vez mais crítica e inclusiva, e comunicar os feitos para ajudar a mitigar os efeitos deletérios causados pelo próprio homem. Como disse Frei Betto, ‘guardemos o pessimismo para dias melhores’.

* Igor Fonseca é curador da ArtBio e Stevens Rehen é neurocientista e pesquisador da UFRJ e do Instituto D'Or

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