Asteróide de 10 toneladas desintegra-se no céu do Canadá

O asteróide desintegrou-se a 80 km de altitude, gerando uma energia equivalente à de 400 kg de TNT

Carlos Orsi, do estadao.com.br,

26 de novembro de 2008 | 15h07

Um asteróide de dez toneladas explodiu sobre o Canadá semana passada e foi a causa de um clarão avistado nos céus das províncias de Alberta e Saskatchewan, no oeste do país, informa um boletim divulgado pela Universidade de Calgary. Pesquisadores da universidade estão em campo em busca de fragmentos da rocha que, ao entrar na atmosfera terrestre, teria o tamanho aproximado de uma escrivaninha.   Veja também  Foto mostra desintegração de asteróide sobre o Sudão  Asteróide que caiu em Tunguska era pequeno, diz cientista   "Um objeto de rocha desse tamanho se desintegra na atmosfera e, assim, atinge a superfície como uma coleção de pedras menores, em velocidade relativamente baixa", explica o astrônomo canadense Peter Brown, um dos responsáveis pela caracterização do asteróide. "A menos que uma pessoa seja atingida diretamente pela pedra, não há perigo".   O asteróide canadense desintegrou-se gerando uma energia equivalente à de 400 kg de TNT, e deu origem a um clarão no céu a uma altitude de cerca de 80 km, em 20 de novembro. O clarão durou cinco segundos, enquanto o asteróide mergulhava a um ângulo de 60º em direção ao solo. Segundo Brown, um asteróide semelhante entra na atmosfera terrestre a cada mês, aproximadamente.   No início de outubro, outro asteróide, maior, foi detectado entrando na atmosfera terrestre sobre o Sudão. Ele produziu uma explosão de cerca de mil toneladas de TNT. "O intervalo entre os eventos é aleatório", diz Brown. "Eventos do tipo sudanês ocorrem  de três a quatro vezes ao ano, então o tempo entre eles não é incomum".   O asteróide canadense pegou os cientistas de surpresa. Já o sudanês havia sido detectado quase 24 horas antes do impacto. Brown diz que ambos os objetos eram bastante pequenos, e que o asteróide sudanês foi descoberto ainda no espaço por "pura sorte". "No geral, ninguém espera ver objetos com tamanhos assim antes que atinjam a Terra com o tipo de vigilância por telescópio que temos, exceto em casos raros".   Embora asteróides do tamanho dos dois detectados neste ano não representem grande perigo, rochas maiores, que atingem a Terra a intervalos de séculos ou milênios, podem oferecer risco para áreas povoadas ou, até, para a civilização como um todo. A Nasa tem um programa com o objetivo de detectar e rastrear 90% de todos os asteróides próximos à Terra que tenham mais de 1 km de diâmetro. Até hoje, foram detectados 5,8 mil corpos próximos ao nosso planeta, dos quais 994 foram classificados como potencialmente perigosos.   A Escala Torino, criada por cientistas para apresentar de forma rápida o risco de impacto de asteróides com a Terra, atualmente registra apenas um corpo no nível 1 - "chance de colisão extremamente improvável, sem necessidade de alarme público" -, o asteróide 2007 VK184, com passagens pela Terra entre 2048 e 2057, e probabilidade em impacto estimada em 0,03%. Todos os demais asteróides próximos à Terra conhecidos estão na categoria ainda menos perigosa, a zero.   Na terça-feira, 25, em Viena, um grupo de especialistas em atividades espaciais, incluindo o ex-astronauta do programa Apollo  Rusty Schweickart, pediu à ONU a criação de um programa amplo para detectar e deter asteróides perigosos. Schweickart apresentou a representantes das Nações Unidas o relatório elaborado pelo Comitê Internacional de Mitigação da Ameaça de Asteróides.

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