Asteroides podem ter crosta como a da Terra, indica meteorito

Meteoritos dão indicações que podem mudar a maneira como se pensava sobre a formação de asteróides

da Redação,

07 de janeiro de 2009 | 20h21

Asteroides são pedaços de rocha que orbitam no espaço, e cientistas têm normalmente assumido que seu pequeno tamanho limitava os tipos de rocha que formavam sua crosta. Mas dois meteoritos recém descobertos podem reescrever o livro sobre como asteroides se formam e evoluem. Pesquisadores da Instituição Carnegie, da Universidade de Maryland e da Universidade do Tennessee relataram na edição de quinta-feira, 8, da Nature que esses meteoritos são fragmentos de antigos asteroides que consistem em rocha rica em feldspato, chamada andesito. Rochas similares já foram conhecidas na Terra, tornando essas amostras as primeiras desse tipo a serem encontradas em outro lugar no Sistema Solar.  Os dois meteoritos foram descobertos durante a busca Antártica por meteoritos (ANSMET) entre 2006 e 2007. Os meteoritos de cor clara chamados de GRA 06128 e GRA 06129 foram imediatamente reconhecidos como diferentes de outros tipos de meteoritos já conhecidos.  "O que é mais incomum a respeito dessas rochas é que elas têm composições similares à crosta continental de andesito da Terra - o que compõe o chão em que pisamos", disse James Day, da Universidade de Maryland. "Nunca se viu meteoritos como esses antes." Andesito é uma rocha ígnea comum na Terra em áreas onde a colisão das placas tectônicas gera vulcões, como aqueles da região dos Andes. Os meteoritos contêm minerais que se acredita que seriam gerados apenas em processos de larga escala como quando as placas tectônicas concentram os ingredientes químicos certos. Tendo isso em vista, alguns pesquisadores sugeriram que os meteoritos são fragmentos de um planeta ou da Lua, não de um asteroide. Mas análises dos isótopos de oxigênio presentes neles feitas por Douglas Rumble excluíram essa possibilidade.  "Uma série de objetos do sistema solar incluindo meteoritos, planetas, luas e asteroides têm suas próprias assinaturas de isótopo de oxigênio", disse Rumble. "Apenas analisando as variações 16O-17O-18O nós podemos dizer se um meteorito veio de Marte, da Lua ou de um asteroide particular." A idade dos meteoritos, mais de 4,5 bilhões de anos, sugere que eles se formaram bem pouco depois do nascimento do sistema solar. Isso torna improvável que eles tenham vindo da crosta de algum outro planeta. A assinatura química de alguns metais preciosos, principalmente o ósmio, nos meteoritos também aponta para sua origem em um asteroide.

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