Astronautas da Apollo 11 defendem missão para Marte

Em uma rara aparição conjunta, a tripulação da Apollo 11 falou no aniversário de 40 anos do pouso lunar

Associated Press,

20 de julho de 2009 | 13h20

Os primeiros astronautas a caminhar sobre a Lua querem que o presidente Barack Obama escolha uma nova destinação: Marte. Nesta segunda-feira, os tripulantes ad Apollo 11 têm uma reunião com o presidente na Casa Branca.

 

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Em uma de suas poucas aparições conjuntas, a tripulação da Apollo 11 falou no aniversário de 40 anos do primeiro pouso de seres humanos na Lua, mas não caiu na nostalgia. Em vez disso, falaram sobre o futuro e o passado mais distante.

 

Na noite de domingo, uma multidão que lotou o Museu Nacional de Ar e Espaço da Smithsonian Institution - sete mil pessoas disputaram uma loteria de 485 lugares - não ouviu detalhes íntimos do pouso do módulo Águia na Lua com pouco combustível, ou como é a Lua, ou qual a sensação de estar lá.

 

Astronautas do programa Apollo: Walt Cunningham, Apollo 7; James Lovell, Apollo 8 e 13; David Scott, Apollo 15; Buzz Aldrin, Apollo 11; Charles Duke, Apollo 16, Thomas Stafford, Apollo 10; e Eugene Cernan, Apollo 10 e 17. AP

 

Em vez disso, ouviram o segundo homem na Lua, Buzz Aldrin, propor Marte. Ele disse que a melhor homenagem aos astronautas do programa Apollo "é seguir os nossos passos: audaciosamente ir de novo numa missão de exploração".

 

O primeiro homem na Lua, Neil Armstrong, só falou da Apollo 11 por cerca de 11 segundos. Ele deu uma palestra intitulada Goddard, governança e geofísica, analisando as invenções e descobertas que levaram a o seu histórico "pequeno passo" de 20 de julho de 1969.

Armstrong disse que a corrida espacial foi "a competição pacífica definitiva: EUA versus URSS. Ela permitiu que os dois lados agissem com altivez com os objetivos de ciência, educação e exploração".

O piloto do módulo de comando, Michael Collins, que viajou sozinho em órbita da Lua enquanto Armstrong e Aldrin caminhavam nela, disse que a Lua não é interessante, mas que Marte é.

 

"às vezes acho que voei para o lugar errado. Marte sempre foi meu lugar favorito quando criança, e ainda é hoje", Collins disse. "Eu gostaria de ver Marte tornar-se o foco, como John F. Kennedy focou na Lua".

O homem que fundou e dirigiu o Centro de Comando espacial em Houston, Christopher Kraft Jr., também adotou o discurso de ir a um lugar novo, fazer algo inédito.

 

"O que precisamos é de nova tecnologia. Não temos isso desde Apollo", disse ele. "Digo ao sr. Obama: vamos nessa. Vamos investir no futuro".

 

Enquanto os homens da Nasa dos anos 60 falavam em novas tecnologias e novos objetivos, a Nasa de hoje espera voltar à Lua. A agência ainda caminha rumo ao objetivo de retorno à Lua de Armstrong e Aldrin, e desta vez pôr uma base lá. O plano atual baseia-se na construção de novos foguetes que já foram descritos como "Apollo com esteroides" com uma alternativa - derivada do ônibus espacial - em análise.

 

Embora evitando criticar abertamente os planos atuais da Nasa, Aldrin e Collins disseram que a Lua é coisa velha. Collins disse temer que planos mais ambiciosos de exploração espacial acabem atolados na Lua.

 

Aldrin apresentou um plano mostrando como fazer uma visita curta à Lua como ponto de partida para visitar a Marte, à lua marciana Fobos e até a alguns asteroides, como Apófis, que um dia poderá atingir a Terra. Ele lembrou que a Apollo 11 voou 66 anos depois de os irmãos Wright voarem em seu primeiro avião. Ele disse que gostaria de ver homens em Marte 66 anos após seu pouso na Lua. Isso seria em 2035.

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