Astronautas descrevem susto da descida descontrolada na Soyuz

A nave TMA-11 aterrissou a aproximadamente 420 quilômetros do local planejado assutando a população local

AP

21 de abril de 2008 | 15h45

Quem estava mais assustada - a astronauta sul-coreana novata, que viu o fogo engolir a cápsula onde ela estava enquanto caía na Terra, ou os moradores locais de um estepe estéril que cruzaram com pessoas que acabavam de cair do céu? Essas duas histórias emergiram nesta segunda-feira, 21, na coletiva de imprensa dos participantes da última missão espacial russa.  "Durante a descida, enquanto passávamos pela atmosfera, eu vi algum tipo de fogo do lado de fora", disse Yi So-yeon, a primeira sul-coreana a completar um vôo espacial. "Primeiro eu fiquei realmente assustada porque estava muito, muito quente e eu pensei que pudesse me queimar." Yi voltou à Terra com a astronauta norte-americana Peggy Whitson e com o engenheiro de vôo russo Yuri Malenchenko, a bordo da cápsula russa Soyuz no sábado, 19.  Os três enfrentaram um vôo turbulento e acelerações gravitacionais até dez vezes mais fortes que a da Terra, pois a cápsula fez uma trajetória pouco usual, resultado de um problema técnico que está sob investigação.  A nave TMA-11 aterrissou a aproximadamente 420 quilômetros do local planejado. Yi disse que apesar de ter visto o fogo do lado de fora, ela notou que não estava nem um pouco quente dentro da cápsula. "Eu olhei para os outros e eles fingiam estar tudo OK", disse Yi, uma bioengenheira de 29 anos.  O cosmonauta veterano Malenchenko, que já passou 515 dias no espaço, disse que na hora que na hora que a equipe desceu da cápsula para a Terra, cerca de 12 curiosos locais chegaram à cena.  "Eles estavam muito surpresos e não podiam acreditar em seus próprios olhos", disse Malenchenko. "Um deles perguntou se a cápsula era um barco. Outro disse que nós poderíamos ter pulado de um avião." Quando contamos a eles que éramos astronautas, "eles acenaram com a cabeça mas então perguntaram de novo de onde tínhamos vindo. Eles não podiam acreditar que tivéssemos estado no espaço. Eles só acreditaram em nós quando viram nossas roupas espaciais." Os locais ajudaram a equipe recuperar o telefone da nave para fazer uma ligação pedindo por resgate, ele disse. "Foi difícil pois a cápsula havia virado de ponta cabeça", disse Malenchenko. Os três membros da equipe andavam devagar e pareciam desequilibrados quando chegaram para falar com a imprensa no centro de treinamento Star City, próximo à Moscou, na Rússia. Médicos que estavam ao seu lado asseguravam que eles não caíssem.  Autoridades ainda têm que explicar por que a cápsula saiu de controle e caiu na Terra em uma chamada "reentrada balística." Malenchenko disse que a nave de alguma maneira voltou automaticamente para reentrada balística. "Não houve atitude nenhuma da equipe que tenha levado a isso", disse. "O tempo dirá o que deu errado." Foi a segunda vez seguida - e a terceira desde 2003 - que a aterrissagem de uma Soyuz deu errado. Apesar dos problemas, Whitson, que se tornou a astronauta mais experiente dos Estados Unidos, com 377 dias passados no espaço, disse que ainda ter fé no Soyuz. "O Soyuz tem sido historicamente uma nave muito confiável", disse.  Superando os 374 dias no espaço de Mike Foale, Whitson disse que se sentia "com sorte de ter estado no lugar certo, na hora certa." Yi, que disse ter feito bem na promessa aos seus companheiros de viagem cantando Fly me to the Moon no espaço, partiu para a estação espacial internacional em 10 de abril.  Com ela estavam os cosmonautas Sergei Volkov e Oleg Kononenko que substituíram Whitson e Malenchenko. A Coréia do Sul pagou US$20 milhões (R$ 33, 34 milhões) pelo vôo de Yi.  Ela foi modesta nesta segunda-feira, 21. "Eu não posso acreditar que tenha me tornado algum tipo de heroína", disse. "Eu sou só uma mulher coreana comum." Whitson e Malenchenko passaram seis difíceis meses fazendo experimentos e mantendo a estação em órbita e foram substituídos por Volkov e Kononenko. Eles se juntaram ao astronauta americano Garrett Risman, que chegou à estação no mês passado a bordo do ônibus espacial norte-americano Endeavour. Volkov e Kononenko serão substituídos na primavera.

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