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Astronautas partem em missão perigosa para salvar o Hubble

O Telescópio Espacial Hubble, de 19 anos, foi visitado por astronautas pela última vez há sete anos

Associated Press,

11 de maio de 2009 | 15h05

O ônibus espacial Atlantis foi lançado nesta tarde para a quarta e última missão de manutenção do Telescópio Espacial Hubble. Seis homens e uma mulher tentarão executar a missão, mais complicada e  perigosa que o normal - mesmo para os padrões de astronautas. O voo havia sido adiado no fim do ano passado, quando a Nasa descobriu um novo defeito no telescópio duas semanas antes da data prevista para o lançamento.

 

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O Hubble, de 19 anos, foi visitado por astronautas pela última vez há sete anos, e os ajustes já estão bem atrasados.

 

A missão, de 11 dias, é mais perigosa que o usual porque o Atlantis estará voando a uma altitude elevada (560 km) para o padrão dos ônibus espaciais, que normalmente só chegam à altitude da Estação Espacial Internacional (ISS), 200 km abaixo. Nessa região mais elevada, o espaço está mais repleto de lixo orbital, e a chance de uma colisão que cause danos à nave é maior. 

 

Além disso, sempre existe o risco de o ônibus espacial ser atingido por fragmentos liberados durante a decolagem. Foi um acidente assim que levou à destruição do Columbia, em 2003. Temores envolvendo a missão levaram a seu cancelamento em 2004, já que os astronautas não teriam como se refugiar a bordo da ISS se o ônibus espacial sofresse danos graves.

 

A missão de reparos do Hubble só foi reinstituída após uma mudança na administração da Nasa, e agora um segundo ônibus espacial, o Endeavour, aguarda na base de lançamento para atuar como nave de resgate, se necessário.

 

 

Nesta quarta e última missão de reparos, duas equipes vão se revezar em caminhadas espaciais para substituir as baterias e giroscópios do observatório, instalar novas câmeras e tentar consertar dois instrumentos científicos que não foram projetados para sofrer intervenções em pleno espaço, e que estão fixados com rebites e travas.

 

Os astronautas removerão um computador que falhou no ano passado e vão substuí-lo. Uma nova camada isolante será acrescida à parte externa do telescópio,  e um novo sensor de orientação será instalado.

 

Cinco caminhadas espaciais serão necessárias ao todo, numa missão orçada em US$ 1 bilhão, executada para proteger o investimento de US$ 10 bilhões feito no telescópio. O Hubble havia sido lançado em 1990, mas os cientistas logo descobriram que seu espelho principal tinha um defeito. Lentes corretivas foram instaladas em 1993, no que o chefe de missões científicas da Nasa, Ed Weiler, classificou de "o milagre".

 

Com as novas peças, a Nasa espera manter o Hubble produzindo imagens do Universo por mais cinco ou dez anos. Seu sucessor, o telescópio James Webb, tem lançamento previsto para 2014.

 

"Pessoalmente acho que as apostas para a ciência são muito altas" na missão do Hubble, disse o cientista sênior o projeto, David Leckrone, na véspera do lançamento. "É uma missão muito complexa e muito ambiciosa, e faz a diferença entre um observatório que está capengando cientificamente e um observatório que é o melhor de todos".

 

Além dos equipamentos necessários à missão, o Atlantis leva a bordo um souvenir: uma bola de basquete usada pelo cientista Edwin Hubble (1889-1953), descobridor da expansão do Universo e que dá o nome ao telescópio. Hubble foi o astro do time de basquete da Universidade de Chicago, entre 1907 a 1908.

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