Astronomia revela violência entre galáxias no céu

Vocabulário para tratar de interações entre galáxias inclui 'assédio' e 'estrangulamento'

Associated Press,

11 de janeiro de 2008 | 16h21

Quanto mais os astrônomos observam o céu, mais fenômenos estranhos e violentos são revelados no Universo. AS descobertas científicas apresentadas na reunião anual da associação de astrônomos dos Estados Unidos vão de estrelas azuis "órfãs" a buracos negros errantes que percorrem a galáxia.   "É um Universo curioso este em que vivemos", disse a astrônoma da Universidade Vanderbilt Kelly Holley-Bockelmann, que apresentou uma teoria sobre buracos negros errantes dias atrás, durante o encontro que termina nesta sexta-feira, 11, em Austin, Texas.   É importante destacar que ela não está preocupada: a chance de um desses buracos negros engolir a Terra, o Sol ou causar o caos no Sistema Solar com seu campo gravitacional é de da ordem de 1 em 1 quadrilhão a cada ano.   "Esta é a glória do universo", acrescentou o presidente da associação de astrônomos, J. Craig Wheeler. "O que é estranho e o que é normal estão mudando".   Há apenas cinco anos, astrônomos observavam alguns milhares de galáxias onde estrelas nasciam de um modo especialmente violento. Agora, o número é de milhões, graças a telescópios e supercomputadores cada vez mais poderosos, disse Wheeler.   Cientistas não estão descobrindo que não apenas sua compreensão do Universo melhora, mas que também não param de encontrar peculiaridades cósmicas e perigos impressionantes, mas longínquos.   A violência espacial cerca a Terra e aproxima-se dela, mas nosso planeta está seguro e "num bairro bem calmo", diz Wheeler, autor do livro Cosmic Catastrophes (Catástrofes Cósmicas).   Um exemplo é uma nuvem de gás que se aproxima da Via-Láctea e foi discutida na sessão desta sexta-feira do encontro: tem massa de um milhão de vezes a do Sol, está a 76 quadrilhões de quilômetros, mas aproxima-se a 240 quilômetros por segundo. E quando chegar, haverá explosões e formação de novas estrelas, diz o astrônomo Jay Lockman. Mas a colisão acontecerá longe daqui, e atingirá o auge dentro de 40 milhões de anos.   Em outra apresentação, quando astrônomos revelaram um gigantesco mapa da misteriosa matéria escura em um super-aglomerado de galáxias, eles explicaram que a violência entre os corpos celestes é tão grande que já existe um vocabulário para as brutalidades cósmicas.   A força gravitacional entre as galáxias em colisão pode causar um "estrangulamento lento", no qual gás é removido da galáxia vítima. Se uma galáxia grande retira o gás de forma abrupta de uma menor, o gás é "arrancado". E há o "assédio", quando duas galáxias passam rapidamente uma pela outra, explicou a britânica Meghan Gray.

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