Astrônomo faz clipe com o som do Big Bang

O astrônomo Mark Whittle, da Universidade de Virginia, apresentou no encontro da American Astronomical Society, que ocorre em Denver (EUA), um clipe que compacta, em cinco segundos, o que se acredita ser o som do primeiro milhão de anos do Universo. Ao contrário do Universo de hoje, onde as aglomerações de matéria estão separadas por grandes distâncias de vácuo - que é transparente para a luz, e onde o som não se propaga - o Universo primordial era altamente denso, opaco para a luz, mas ondas acústicas viajavam por ele, explica Whittle.Uma ?fotografia? do último instante do Universo em seu estado original de nuvem densa e opaca pode ser vista no fundo cósmico de microondas, uma cortina de radiação que marca o momento em que o Universo se tornou transparente para a luz. O fundo de microondas mostra pequenas irregularidades, que representam as ondas acústicas que passavam pelo Universo naquele momento, 380.000 anos após o Big Bang.Extrapolando a partir das irregularidades, Whittle reconstituiu o som, rumo ao passado e até o primeiro milhão de anos. Curiosamente, o Big Bang em si é silencioso; o som aparece com a expansão inicial do Universo. O clipe apresentado pelo astrônomo soa como um avião passando a baixa altitude, ou um carro que se aproxima do ouvinte e depois se afasta.O som do clipe foi modificado para ser audível - o original era baixo (grave) demais para o ouvido humano.

Agencia Estado,

02 de junho de 2004 | 16h47

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