Astrônomos anunciam novo valor para a constante de Hubble

Esse parâmetro pode responder perguntas como qual o tamanho do universo e quantos anos ele tem

Dennis Overbye, The New York Times

19 de agosto de 2008 | 15h28

Na esperança de entender por que o universo parece estar se desmanchando, um jovem astrônomo e seus colegas embarcaram em uma das mais antigas buscas da cosmologia, para medir a velocidade com que o universo está crescendo, qual o seu tamanho e quantos anos tem.  Essa informação está codificada no valor de um número conhecido como a constante de Hubble, que colocou astrônomos nessa busca há cerca de 75 anos.  "É quase um número fundamental na cosmologia", disse Adam Riess, de 38 anos, astrônomo do Instituto Space Telescope Science e da Universidade Johns Hopkins, e um dos que descobriram, há dez anos, que algum tipo de "energia escura" está acelerando o crescimento do universo.  Nesta primavera, no que ele chamou de "um triunfo da metrologia", Riess anunciou que ele e seu colega, Lucas Macri, da Universidade do Texas, usaram o telescópio Hubble para fazer a mais recente e mais precisa medição desse parâmetro.  Expressa nos termos que os astrônomos tanto gostam, a constante Hubble, disse Riess, equivale a 74 quilômetros por segundo por megaparsec. Isso significa que para cada milhão de parsecs adicionais (cerca de 3,26 milhões de anos-luz) a que uma galáxia está de nós, ela se afasta 74 quilômetros por segundo mais rápido.  A notícia não está no valor conseguido por Riess, que repetidamente concordou com os resultados anteriormente conseguidos pela equipe de Wendy Freedman, diretora de Carnegie Observatories, mas na precisão com que seu grupo diz ter conseguido medir a constante: um grau de incerteza de apenas 4,3%. Apenas 30 anos atrás, importantes astrônomos não conseguiram chegar a um acordo em um fator de dois no valor da constante, deixando todos os outros parâmetros na cosmologia incertos por pelo menos o mesmo fator, e provocando piadinhas de outros campos da ciência.  Mas essa é a era da chamada precisão cosmológica. "Não estou dizendo que vamos chegar a 1%, mas podemos", disse.  O anúncio de Riess foi considerado um início auspicioso por outros astrônomos e cosmólogos, preocupados com o destino do universo e da física. Conhecer o valor preciso da taxa de expansão do universo, explicam, se tornou a chave para entender a energia escura. Quanto mais preciso o valor da constante e Hubble, mais precisas as propriedades dessa força enigmática.  "Eu acho que o trabalho de Adam é bom", disse Freedman. Mas ela e outros astrônomos acrescentaram que algumas partes do esquema de Riess poderiam ser vulneráveis a todo tipo de erro sistemático que envolveu as outras gerações de astrônomos em controvérsia - os efeitos da poeira galáctica e da química no brilho de estrelas distantes.  John Huchra, do Centro de Astrofísica do Harvard-Smithsonian disse que "são conhecidas muitas grandes fontes de preocupação." Há problemas maiores que apenas a energia escura. Cosmólogos gostariam de saber se o seu chamado modelo padrão do universo faz sentido. O universo tem de fato 13,7 bilhões de anos, cheio de matéria escura e energia escura, pontilhado por galáxias que cresceram, por gravidade, de flutuações aleatórias no Big Bang? Esse universo é descrito matematicamente por meia dúzia de parâmetros fundamentais, através dos quais a constante de Hubble pode ser calculada. Mas para testar o modelo "de maneira fisicamente interessante", nas palavras de Huchra, a constante de Hubble e outros parâmetros, precisam ser realmente medidos com grande precisão.  Tanto o telescópio quanto a constante têm o nome de Edwin Hubble, o astrônomo de Mount Wilson que descobriu, em 1929, que o universo estava em expansão. E não de maneira realmente constante. Através do tempo cósmico, a gravidade tenta diminuir o ritmo da expansão, enquanto a energia escura, que astrônomos descobriram há dez anos atrás para sua surpresa, tenta acelerar.  A história da constante de Hubble viu muitos começos auspiciosos que encontraram, em seguida, dificuldades para uma medida precisa. Tanto o telescópio Hale, de 1948, quanto o Hubble, lançado 42 anos depois, deveriam ter resolvido o problema.  Allan Sandage, também do Carnegie Observatories, que herdou o universo quando Hubble morreu em 1953 e tem medido e conferido a constante de Hubble desde então, gosta de dizer que a astronomia é a ciência do impossível. "É maravilhoso conseguir uma distância", disse uma vez, "porque é quase impossível de acreditar que você possa fazer isso." De acordo com uma compilação recente de Huchra, mais de 500 valores da constante de Hubble já foram publicados através dos anos. Os astrônomos estão, agora, bem perto de um acordo. Em anos recentes, as duas principais equipes usando o telescópio Hubble para medir a constante chegaram a respostas com apenas 15% de distância entre si, 70 ou 62, respectivamente, com 10% de margem de erro.  Nunca vai ser "Oba, acertamos em cheio!", disse Riess. "É a missão da humanidade: estar sempre medindo isso." Sem mostrar estar sentindo o peso da história, ele disse, "esses ainda são os tempos iniciais."

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