ESO/MKornmesser
ESO/MKornmesser

Astrônomos descobrem buraco negro antigo e gigantesco

Objeto está no centro de um quasar ultraluminoso; estudo foi publicado na revista Nature

Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

25 Fevereiro 2015 | 15h00

Uma equipe internacional de astrônomos descobriu um buraco negro antigo e gigantesco, com uma massa 12 bilhões de vezes maior que a do Sol. O objeto está no centro de um quasar ultraluminoso - o mais brilhante objeto do universo inicial já descoberto - que emite uma quantidade de energia um quatrilhão (um milhão de bilhões) maior que a do Sol. O estudo foi publicado nesta quarta-feira, 25, na revista Nature.

De acordo com o autor principal do artigo, Fuyan Bian, da Universidade Nacional da Austrália, a descoberta desafia as teorias disponíveis sobre como os buracos negros se formaram e cresceram no universo primitivo. "A formação tão rápida de um buraco negro tão grande é algo difícil de interpretar com as teorias atuais", disse Bian.

Os quasares são objetos astronômicos extremamente distantes que possuem o brilho de uma galáxia com bilhões de estrelas, mas que têm dimensões aparentemente pequenas e que são formados por material que está em processo de ser "engolido" por um buraco negro. À medida que esse material acelera sua queda em direção ao buraco negro, ele esquenta, emitindo uma quantidade de luz tão extraordinária que afasta o material que cai atrás dele. 

Acredita-se que esse processo, conhecido como pressão de radiação, é responsável por limitar o crescimento dos buracos negros, segundo Bian. "No entanto, esse buraco negro no centro do quasar ganhou uma massa enorme em um período curto de tempo", afirmou. Pela imensa distância em que os quasares se encontram, a luz emitida por eles leva bilhões de anos para chegar à Terra e, por isso, permitem que os cientistas olhem para o passado e estudem o Universo primitivo.

A equipe, liderada por Xue-Bing Wu, da Universidade de Pequim (China), reuniu cientistas da Austrália, China, Chile e Estados Unidos. Os cientistas selecionaram o quasar a partir da Sloan Digital Sky Survey (SDSS), o mais ambicioso levantamento astronômico em andamento na atualidade, iniciado em 2000. De acordo com o artigo, o quasar foi selecionado por conta de sua distintiva cor vermelha, entre outros 500 milhões de objetos que figuravam no levantamento no céu do Hemisfério Norte. O objeto foi então observado com três outros telescópios, para estudos mais detalhados. Segundo Bian, os cientistas esperam descobrir mais objetos surpreendentes durante o levantamento Skymapper, atualmente em curso na Universidade Nacional da Austrália, que observará o céu do Hemisfério Sul. 

De acordo com Bram Venemans, do Instituto Max Planck, que fez um comentário sobre o estudo na seção "News & Views" da revista Nature, os projetos deverão levar ainda à descoberta de mais buracos negros supermassivos do início do universo - embora eles sejam cada vez mais raros à medida que se recua no tempo. "Esses levantamentos serão capazes de descobrir tais objetos e nos fornecer alvos ideais para aprender mais sobre as características do Universo em suas primeiras centenas de milhões de anos depois do Big Bang", escreveu.

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