Astrônomos detectam 'supertempestade' em planeta distante

Ventos sopram a 1.000 km/h, por causa da grande diferença de temperatura entre hemisférios

estadao.com.br

23 Junho 2010 | 14h46

Ilustração do planeta HD209458b, muito próxim,o de sua estrela. Divulgação/ESO 

 

Pela primeira vez, cientistas mediram uma "supertempestade" na atmosfera de um planeta fora do sistema Solar, o "Júpiter quente" HD209458b. Observações do movimento do gás monóxido de carbono mostram que ele está fluindo a uma velocidade enorme do lado diurno, extremamente quente, para o lado noturno do planeta. Essas observações também permitiram calcular a velocidade orbital do planeta e, com isso, determinar sua massa. Os resultados aparecem na edição desta semana da revista Nature.

 

Astrônomos captam movimento de planeta fora do Sistema Solar

 

"HD209458b definitivamente não é um lugar para quem tem coração fraco", disse o líder da equipe de astrônomos, Ignas Snellen. "Encontramos indício de um supervento, soprando à velocidade de 5.000 km/h a 10.000 km/h".

 

HD209458b é um planeta com cerca de 60% da massa de Júpiter, e orbita uma estrela semelhante ao Sol a 150 anos-luz da Terra, na direção da constelação de Pégaso. Ele se mantém a uma distância de sua  estrela que é apenas 5% da que separa a Terra do Sol, e é intensamente aquecido pelo astro.

 

A temperatura da superfície é de cerca de 1.000º C, no lado quente. Mas como o planeta mantém sempre a mesma face voltada para a estrela, existe uma disparidade de temperatura muito grande entre os dois lados.

 

Este foi o primeiro exoplaneta - como são chamados os mundos em órbita de estrelas que não o Sol - a ser descoberto em trânsito, isto é, cortando a linha que liga a estrela aos observadores na Terra.

 

A cada três dias e meio, ele passa diante de sua estrela, bloqueando uma pequena fração da luz emitida pelo astro. Quando isso acontece, parte da luz da estrela passa através da atmosfera do planeta, e parte carregando a assinatura das substâncias que a compõem. 

 

Uma equipe internacional de cientistas usou o telescópio VLT, mantido pelo Observatório Europeu Sul (ESO), no Chile, para medir essa assinatura.

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