Astrônomos encontram buraco negro gigante fora do lugar

Objeto supermassivo pode ter sido deslocado com a fusão de dois buracos negros menores

estadao.com.br

25 Maio 2010 | 16h53

A galáxia M87 em imagem do Hubble, com o jato de material emergindo do centro. HST/Nasa-ESA 

 

Uma equipe de astrônomos dos Estados Unidos e do Reino Unido descobriu que o buraco negro supermassivo no centro da galáxia de maior massa da vizinhança da Via-Láctea, M87, não está onde deveria. A pesquisa, realizada com a ajuda do telescópio Espacial Hubble, conclui que o buraco negro gigante de M87 foi deslocado do centro da galáxia.

 

A causa mais provável do deslocamento é a fusão entre dois buracos negros mais antigos e de menor massa. "Mas também descobrimos que o famoso jato de M87 pode ter empurrado o buraco negro para fora do centro", diz, em nota, o principal autor do estudo, Daniel Batcheldor, da Florida Tech.

 

O estudo de M87 é parte de um projeto mais amplo envolvendo o Hubble e que é dirigido pelo físico Andrew Robinson. "O que talvez seja mais interessante... é a possibilidade de termos encontrado um sinal de fusão, o que é interessante para pessoas que buscam ondas gravitacionais", disse Robinson.  "A previsão teórica é que quando dois buracos negros se fundem, o buraco negro combinado leva um 'chute' por causa da emissão de ondas gravitacionais, que pode deslocá-lo".

 

O físico David Merritt acrescenta que uma vez impulsionado, um buraco negro pode levar milhões ou bilhões de anos para retornar ao repouso, principalmente no centro de uma galáxia de densidade baixa como  M87.

 

Jatos de material como o emitido por M87 são comumente encontrados em uma classe de objetos conhecida como Núcleos Galácticos Ativos. Acredita-se que buracos negros supermassivos podem se tornar ativos como resultado da fusão entre galáxias, na queda de material para o centro da galáxia e na fusão subsequente de buracos negros.

 

A pesquisa foi apresentada na reunião da Associação de astronomia dos EUA, em Miami, e será publicada no periódico Astrophysical Journal Letters.

Mais conteúdo sobre:
astronomiaburaco negrohubble

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.