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Astrônomos veem sinal de novo grande impacto em Júpiter

Se confirmado, impacto seria comparável ao do cometa Shoemaker-Levy, avistado pelo Hubble em 94

Carlos Orsi, do estadao.com.br,

20 de julho de 2009 | 12h06

O astrônomo amador australiano Anthony Wesley divulgou na internet a imagem, feita no domingo, 19, de uma mancha escura aparecendo perto do polo sul do planeta Júpiter, o maior do sistema solar. O anúncio, que se espalhou rapidamente pelo Twitter, mobilizou vários outros observadores, entre amadores e profissionais. A mancha parece ser a marca deixada pelo impacto de um cometa ou asteroide.

 

Impact mark on Jupiter, 19th July 2009

Horários em que a mancha voltará a estar visível (em iceinspace.com.au)

 

Os astrônomos Glenn Olson e Leigh Fletcher, do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da Nasa fizeram e analisaram as primeiras imagens em infravermelho da mancha, e estão convencidos de que se trata realmente do sinal de um impacto.

 

"De jeito nenhum que uma coisa tão escura assim em Júpiter seria uma tempestade", disse Olson. As imagens obtidas por eles, a partir de um telescópio baseado no Havaí, ainda não foram liberadas para divulgação pela Nasa.

 

Olson disse que ainda não está claro quando o impacto que teria gerado a mancha ocorreu, mas que até o momento não surgiu nenhuma foto de Júpiter anterior ao dia 19 que mostrasse o buraco na atmosfera do planeta gigante.

 

Uma explicação alternativa para a mancha seria a de um fenômeno climático, como a Grande Mancha Vermelha, uma tempestade que perdura há séculos na atmosfera no planeta.

 

Exemplo para a Terra

 

O astrônomo Fernando Roig, pesquisador do Observatório Nacional (ON), diz que o surgimento de um sinal de impacto em Júpiter, mesmo sem que o objeto causador tivesse sido detectado antes, é perfeitamente possível. "Pode ser um corpo que não havia sido avistado, ou sobre o qual ainda não havia informações suficientes para um cálculo de trajetória", afirma.

 

Roig diz ainda que a confirmação do impacto depende de mais observações. Mas acredita que, aparentemente, não se trata de um efeito atmosférico, nem de uma sombra. Ele também explica que é normal que um buraco na atmosfera do planeta gigante permaneça aberto por vários dias. "Essa é uma peculiaridade da dinâmica da atmosfera de Júpiter, onde aparecem diversas características que se preservam por muito tempo".

 

O impacto com Júpíter, se confirmado, não afeta os cálculos de probabilidade de a Terra vir a sofrer um choque semelhante, diz o astrônomo. Mas o fato representa um exemplo de algo que poderia ocorrer aqui: "Algum objeto pequeno, pouco conhecido, poderia aparecer de repente sem que desse tempo de fazer alguma coisa".

 

"Mas é de se esperar que esse fenômeno seja mais frequente em Júpiter", pondera. Sendo o planeta de maior massa do sistema solar, Júpiter exerce uma atração muito maior que a da Terra sobre os corpos que vagam pelo espaço.

 

 Shoemaker-Levy

 

A marca escura está sendo comparada aos sinais deixados pela colisão do cometa Shoemaker-Levy com Júpiter em 1994, um evento que havia sido previsto e que foi acompanhado pelo Telescópio Espacial Hubble.

 

Imagem de impacto de fragmento do Shoemaker-Levy, feita pelo Hubble em 1994. Nasa

 

A colisão de 94 foi a primeira entre dois corpos do sistema solar  acompanhada em tempo real por cientistas, e envolveu mais de 20 fragmentos do cometa, cada um com cerca de 2 km de diâmetro, mergulhando na atmosfera de Júpiter.

 

O website Spaceweather.com pede que mais astrônomos tentem produzir imagens da mancha escura, e já traz links para algumas das primeiras fotos feitas em outras partes do mundo.

 

 

(atualizada às 17h15)

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