Atalaia do Norte testa manejo comunitário de madeira

A primeira autorização de manejo comunitário de madeira fora de reservas extrativistas e florestas nacionais será concedida a trinta famílias das comunidades de São Rafael e São Gabriel, no município de Atalaia do Norte, a 1.500 km de Manaus, nos próximos dias. Técnicos do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) vem trabalhando há dois meses com as comunidades, com apoio da prefeitura local, com o objetivo de tirar as famílias da clandestinidade e dar condições para que elas explorem a floresta de modo sustentável e até deixem de vender a madeira em toras, fazendo um primeiro beneficiamento no local."Graças ao apoio da prefeitura e grande interesse das comunidades, em pouco tempo conseguimos dar o treinamento e elaborar um plano comunitário de manejo, que livrará essas famílias do velho esquema de regatões (barcos de comércio), com um incremento médio de 70% no preço obtido pela madeira", calcula Randolf Zachow, do Ibama. Segundo ele, outras prefeituras da região estão interessadas e o trabalho junto às comunidades de Benjamin Constant e Tabatinga já está em andamento, devendo resultar em autorizações dentro de um mês. As licenças chegam a tempo para a próxima temporada de corte, que tem início entre maio e junho, na região."É a primeira vez que estamos nos aproximando para informar e demonstrar as técnicas de manejo correto, ao invés de vir para multar", acrescenta Zachow. "Muitas vezes a informação não chega nessas localidades e elas ficam dependentes dos regatões, que não tem interesse no manejo correto porque aí não poderiam comprar a madeira barata, como costumam fazer".Nesse primeiro ano, as prefeituras devem auxiliar no transporte da madeira, que é um dos pontos de estrangulamento do comércio legal. A partir da próxima safra, as próprias comunidades deverão contar com barcos próprios. Serão extraídas tanto madeiras "moles" (para compensados) como duras (para tábuas): virola, muirapitanga, acapu, cedro, angelim e louro.As mesmas comunidades já fazem manejo de pescado, reservando alguns lagos para pesca comunitária, outros para reprodução e outros para pesca comercial. E também iniciaram a engorda de peixes em tanques-rede. "Estamos interessados em aumentar a oferta de madeira de origem certificada no mercado, para fazer frente ao mercado ilegal e queremos incentivar outras ações que tirem essas comunidades da clandestinidade", finaliza Zachow.As comunidades interessadas em conseguir suas autorizações podem entrar em contato com a gerência estadual do Ibama, cujos endereços estão no site do órgão (http://www.ibama.gov.br).

Agencia Estado,

09 de abril de 2002 | 16h05

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