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Atividade do Sol passa por maior calmaria em quase um século

Períodos de atividade solar menor se repetem a cada 11 anos, como parte do ciclo natural das manchas solares

da Redação,

02 de abril de 2009 | 17h41

Cientistas da Nasa estão comparando o Sol aos mercados financeiros globais: quando se pensa que não dá para cair mais, ele chega ainda mais baixo. Em 2008, a atividade do astro, medida pelo número de manchas que aparecem em sua superfície, já havia sido excepcionalmente baixa: nenhuma mancha em 266 de 366 dias, ou 73%. O recorde de atividade mínima é de 1913, com 311 dias sem manchas. Em 2009, até 31 de março, já são 78 dias de Sol "limpo" para 90 dias do ano, ou 87%.

 

"Esta é uma mínima solar muito baixa", diz o físico Dean Pesnell, do Centro de Voo Espacial Goddard, da Nasa. "Trata-se do Sol mais calmo a que assistimos em quase um século", concorda o meteorologista David Hathaway, do Centro de Voo Espacial Marshall.

 

Períodos de atividade solar menor se repetem a cada 11 anos, como parte do ciclo natural das manchas solares, descoberto pelo astrônomo alemão Heinrich Schwabe em meados do século retrasado. As manchas solares são ilhas de magnetismo que se formam na superfície do Sol, e são fontes de labaredas solares, ejeções de massa da corona solar e de intensa radiação ultravioleta.

 

Montando um gráfico do número de manchas, Schwabe descobriu que os picos de atividade sempre se faziam seguir por vales de relativa calma, um relógio natural que se manteve confiável por quase 200 anos.

 

Dados levantados pela sonda Ulysses revelam uma queda de 20% na pressão do vento solar, desde meados dos anos 90, no ponto mais baixo desde que as medições começaram, nos anos 60. O vento solar ajuda a manter os raios cósmicos galácticos fora do Sistema Solar interior, e com o vento arrefecido, mais desses raios penetram no sistema, aumentando os riscos para a saúde de astronautas. Menos vento solar também representa menos tempestades magnéticas e menos auroras boreais na Terra.

 

Outras medições mostram que o brilho do Sol caiu 0,02% na faixa de luz visível e 6% nas faixas extremas de ultravioleta desde a mínima solar de 1996. Essas mudanças não são suficientes para afetar o aquecimento global, mas gera outros efeitos: com menos energia emitida pelo Sol, a atmosfera terrestre expande-se menos, o que reduz o atrito das camadas superiores com satélites. Isso prorroga a vida útil dos equipamentos, mas também significa que o lixo espacial ficará em órbita mais tempo.

 

Esses dados geram um debate sobre se a mínima solar atual é excepcional ou se representa apenas um ajuste normal após a última máxima solar, que foi incomumente intensa.

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