Ativistas do Greenpeace são presos no Pará

Um protesto de 800 pessoas ligadas a entidades sociais e de defesa da Amazônia, em Santarém, no oeste do Pará, terminou em violência e prisões, no sábado à tarde, com ativistas do movimento ambientalista Greenpeace, fotógrafos e um cinegrafista do SBT agredidos a socos e pontapés por seguranças da multinacional norte-americana Cargil. Os manifestantes se concentraram na porta da empresa em protesto contra a operação da Cargil no Pará, que, segundo os ativistas, alimenta o desmatamento da Amazônia sem trazer benefícios para o País ou para a região. Cinco ativistas do Greenpeace foram presos pela polícia quando escalavam a ponte do terminal da empresa para abrir uma faixa com a mensagem "Cargill, porta da destruição". Outros dois, que subiram no telhado para pintar a palavra "fora", foram retirados pelos bombeiros. Todos foram soltos na noite de sábado. Os ambientalistas do Greenpeace participavam do seminário "Levante Amazônia", onde era debatida a expansão da monocultura da soja na Amazônia e o modelo de ocupação que, acusam, não respeita o modo de vida dos povos da região. Mais tarde, os ativistas do Greenpeace se juntaram a um grupo de dezenas de mulheres do Movimento Organizado de Mullheres do Baixo Amazonas, que protestava em frente ao portão principal da empresa com martelinhos de madeira para simbolizar a demolição da unidade da Cargill. Os seguranças da multinacional partiram para a briga ao perceber que estavam sendo filmados e fotografados. De acordo com um dos líderes do Greenpeace na Amazônia, Nilo D´Ávila, o protesto era pacífico. "É lamentável essa violência toda. A manifestação das comunidades da região de Santarém é um grito contra o avanço da soja na Amazônia e seus terríveis impactos sociais e ambientais". A Cargil não se pronunciou sobre o episódio. A Polícia Civil informou que as prisões foram efetuadas para evitar danos ao patrimônio da empresa.

Agencia Estado,

02 de maio de 2004 | 21h05

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