Atlas revela grandes mudanças ambientais no mundo

O Programa da ONU para o Meio Ambiente (Pnuma) apresentou em Genebra a publicação Um planeta, muitas pessoas: Atlas de um Meio Ambiente que Muda, que compara imagens por satélite captadas em décadas passadas com imagens contemporâneas.A expansão de viveiros de camarões na Ásia e na América Latina e a formação de uma península gigante na foz do Rio Amarelo na Chinasão algumas das mudanças mais surpreendentes registradas do espaço.Algumas fotografias revelam situações dramáticas, como o desaparecimento das florestas virgens do Brasil e do Paraguai, o rápido desenvolvimento da indústria do gás e do petróleo em Wyoming (EUA) e o retrocesso das geleiras polares e de montanha.Em 1973, a floresta compartilhada por Brasil, Argentina e Paraguai estava em sua maior parte intacta, mas uma imagem de 2003 "confirma a perda de mais de 90% da floresta por causa de cultivos de soja e de milho".Ao apresentar o Atlas, o especialista do Pnuma Pascal Peduzzi explicou que "as mudanças do meio ambiente são lentas, mas dramáticas, e podem ser tão impressionantes como as causadas por um maremoto ou por inundações, com a diferença de que as primeiras acontecem em um período muito longo".O novo Atlas ilustra também o crescimento explosivo de algumas grandes cidades como Pequim, Dacar, Deli, México e Santiago do Chile.O Atlas afirma que o crescimento de Miami em direção ao oeste "ameaça os célebres Everglades, uma das regiões pantanosas mais extensas do mundo e protegida pela Unesco, assim como as espécies selvagens e reservas de água consideráveis que ela abriga".Menciona o caso da Cidade do México, "uma das cidades de crescimento mais acelerado no mundo", que de 9 milhões de habitantes em 1973 passou atualmente a mais de 20 milhões. "A cidade cresce para todos os lados, provocando um considerável desmatamento das montanhas a oeste e ao sul", ressalta o Atlas.Outro caso na América Latina que o Atlas leva em conta é o de Santiago, no Chile, que nesse período duplicou sua população, agora de 5 milhões de habitantes.No entanto, Peduzzi disse que não é preciso cair no pessimismo porque há exemplos que demonstram que "quando há vontade política podem ser encontrados os meios para recuperar o ecossistema".

Agencia Estado,

04 de junho de 2005 | 08h21

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