Audiências Públicas sobre Rodoanel começam amanhã

As audiências públicas sobre o estudo de impacto ambiental dos trechos Sul, Leste e Norte do Rodoanel Márico Covas começam amanhã e vão até 6 de março. As reuniões acontecerão sempre às 19 horas nas seguintes cidades: Itaquaquecetuba (dia 6), Embu (10), São Bernardo do Campo (13), Mauá (17), São Paulo (20), Mairiporã (24), Guarulhos (27) e Caieiras (6 de março). Segundo Dario Rais Lopes, secretário estadual de Transportes, a Dersa receberá análises e estudos até cinco dias úteis depois da última audiência. Em seguida, enviará um relatório ao Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema).Os técnicos da estatal paulista Desenvolvimento Rodoviário SA (Dersa) apresentaram ontem os traçados com alterações dos três próximos trechos do Rodoanel Metropolitano de São Paulo e o Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Meio Ambiente (Eia-Rima). Na frente da sede da empresa, no Itaim Bibi (zona sul de São Paulo), cerca de 20 ambientalistas protestavam contra a realização da obra, portando faixas e cartazes a favor da preservação ambiental. Por outro lado, os profissionais da Dersa afirmaram que enfrentam pressão de transportadores rodoviários e de empresas que querem se instalar nas áreas de entorno do Rodoanel. Eles querem que o anel viário tenha diversos acessos rodoviários e planejam construir terminais de carga ao longo da estrada. Já os ambientalistas querem que o Rodoanel seja uma estrada "fechada", com poucos acessos. O objetivo é restringir a ocupação em áreas preservadas. O trecho sul do projeto prevê 53,8 km, com custo de R$ 1,9 bilhão e passa pelas represas Billings e pelo Reservatório de Guarapiranga. O trecho norte, de 48 km e custo estimado de R$ 1,7 bilhão, passa pela Serra da Cantareira, pulmão verde da Região Metropolitana. São os dois trechos mais polêmicos. Para o lado leste, de 40,6 km e custo estimado de R$ 1,4 bilhão, o problema é a necessidade de desapropriar áreas densamente povoadas. "O Eia-Rima não demonstra a realidade; essa estrada pode colocar em risco as áreas de captação de água da cidade", afirma a coordenadora do movimento SOS Cantareira, Aldelise Del Manto. De acordo com ela, técnicos da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) criticam o projeto nos bastidores. "A cidade pode ficar sem água", alarma-se. Del Manto também afirma que a especulação imobiliária já começou, especialmente na Cantareira. "Há projetos de diversos tipos de conjuntos habitacionais". A Dersa não tem estimativas de quanto a obra pode valorizar os terrenos próximos. Após o anúncio da construção do trecho oeste, os terrenos tiveram valorização de 35% a 50%. A intenção do governo é começar as obras do trecho sul ainda em 2003 porque, por este lado, o anel vai ligar as rodovias Régis Bittencourt, a Anchieta e a Imigrantes, corredores de acesso ao Porto de Santos (SP). Além disso, há o plano de realizar o Ferroanel (anel ferroviário) em conjunto com o Rodoanel, também para facilitar o escoamento de mercadorias até o porto. "Vamos ouvir as propostas da sociedade durante as audiências públicas, disse o secretário estadual de Transportes, Dario Rais Lopes. "Nossa briga não é pelo traçado B ou C, é pelo empreendimento", declarou. Se a Secretaria do Meio Ambiente autorizar, a empresa poderá iniciar a concorrência da obra. Diante da polêmica, atrasos são esperados, por isso o governo nem fala mais em prazos. Se fosse cumprido o cronograma, as obras começariam em 2003 e terminariam em 2008.

Agencia Estado,

05 de fevereiro de 2003 | 13h40

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