Auditoria mostra que País já vive ´crise da água´

Uma auditoria encerrada neste mês pelo Tribunal de Contas da União (TCU) concluiu que, apesar de o Brasil possuir 8% da água doce de todo o planeta, nos próximos anos o abastecimento ficará comprometido. Ao mesmo tempo, as doenças transmitidas pela água estão crescendo e o desperdício, aumentando. O estudo feito pelos técnicos do TCU também mostra que, hoje, pelo menos 19 regiões metropolitanas - onde está um terço da população - correm risco de colapso. A economia brasileira já começa a ser afetada e até o setor elétrico está perdendo com a escassez do produto. Utilizando dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), o TCU mostrou que a Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp) perdeu em torno de 31,4% de seu faturamento, um prejuízo de R$ 913,3 milhões."Os custos gerados pela degradação ou pela ineficiência das companhias são repassados para as tarifas, impossibilitando a execução de um serviço de melhor qualidade", informa o relatório. A auditoria foi feita no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Agência Nacional de Águas (ANA) e Ministério do Meio Ambiente, além das empresas estaduais de abastecimento de água. Uma das constatações é a de que 95% das indústrias, condomínios privados, hotéis, hospitais, clubes e postos de gasolina na região metropolitana de São Paulo utilizam água subterrânea. "A superexploração está sendo maior que a recarga, podendo causar a interrupção das atividades e custos elevados na remediação do problema", alerta o tribunal. Pelos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 20% da população brasileira não é abastecida por água potável. Talvez por isso, em 2000, o governo federal gastou R$ 178 milhões em atendimento a doenças relacionadas a problemas com água. "A saúde da população é diretamente afetada pela falta de saneamento público, principalmente as classes mais carentes", observa o TCU. O tribunal informa que a crise no abastecimento de água já é uma realidade, principalmente em regiões metropolitanas como as de São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Recife, Salvador, Fortaleza, Belém, Curitiba, Porto Alegre, Florianópolis, Natal, Vitória, entorno de Brasília, Londrina, Maringá e Vale do Itajaí, entre outros. Há deficiências na coleta, tratamento e disposição dos esgotos, que resultam em comprometimento da qualidade da água. "A crise de recursos hídricos não é tratada como questão prioritária pelo governo federal e não está integrada com as demais políticas públicas", observam os técnicos do tribunal.

Agencia Estado,

06 de junho de 2002 | 10h44

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