Austrália diz não ao Protocolo de Kyoto

A Austrália escolheu uma maneira estranha de marcar o Dia Mundial do Meio Ambiente. Um dia após a comemorada ratificação do Protocolo de Kyoto pelo Japão, o primeiro-ministro australiano, John Howard, anunciou que não vai aderir ao tratado de contenção do aquecimento global. "Para nós, ratificar o protocolo significaria corte de empregos e perdas para a indústria. Sendo assim, o governo australiano permanecerá contrário à ratificação", disse Howard, em discurso no Parlamento. A posição da Austrália, maior exportador mundial de carvão, compromete seriamente a aplicação do protocolo. O tratado prevê cortes nas emissões dos chamados "gases estufa", que contribuem para o aquecimento do planeta. Isso significa redução do consumo de combustíveis fósseis, como petróleo e carvão. Os Estados Unidos, maiores poluidores do mundo, são contra o acordo e o Canadá, outra grande nação industrial, dificilmente vai aderir. Eles reclamam da falta de obrigações para os países em desenvolvimento, como o Brasil, que deve ratificar o tratado nos próximos meses. O protocolo, assinado no Japão em 1997, já foi ratificado por 71 países, inclusive pela União Européia. As adesões, entretanto, somam apenas 35,8% das emissões mundiais de gás carbônico - abaixo do limite mínimo de 55%, para que o tratado tenha efeito.

Agencia Estado,

06 de junho de 2002 | 10h35

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.