Australianos conseguem fazer teletransporte de dados

Cientistas australianos revelaram nestasegunda-feira que conseguiram realizar com sucesso o"teletransporte" de um feixe de laser com dados codificados, queprimeiro sumiram e depois reapareceram na forma de uma réplicaexata a um metro de distância.O trabalho aperfeiçoa uma experiência realizada pelo Institutode Tecnologia da Califórnia em 1998. Mas os cientistasaustralianos acreditam que sua técnica é mais confiável econsistente. A equipe australiana é reconhecida como uma daslíderes mundiais na pesquisa em teletransporte."O que nós desmonstramos aqui é que pegamos bilhões de fótons,destruímos todos eles simultaneamente e então os recriamos emoutro lugar", disse Ping Koy Lam, chefe da pesquisa emCamberra.Os resultados ainda não foram confirmados por cientistasindependentes nem publicados em nenhuma revista especializada. Oreconhecimento confirmaria que o teletransporte é tecnicamenteexeqüível.Enquanto a aplicação da técnica poderia ser potencialmentecapaz de transportar objetos, continua bastante improvável queseja aplicada com sucesso no teletransporte de seres vivos. Issoporque a técnica destrói o corpo que será movido e o reconstróiem seguida. Qualquer ser humano que tentasse viajar desse jeitoprovavelmente seria morto. A inovação mais plausível nessa linhade pesquisa seria uma nova geração "computadores quânticos".Cientistas vêm trabalhando com teletransporte desde que umlaboratório da IBM provou em 1993 que seria possível usar umprocesso conhecido como "embaralhamento quântico" - pelo menosno caso de fótons, que são partículas subatômicas de luz semmassa.Este fenômeno entrelaça os "destinos" de uma partícula aoutra. Se o estado de uma delas é alterado, a outra assume suasantigas propriedades, transformando-se numa réplica perfeita doseu estado original.Até agora ninguém havia conseguido teletransportar bilhões defótons de uma vez como os australianos disseram ter feito. Omáximo que se havia feito era o teletransporte de 25 fótons,numa experiência conduzida pelo Instituto de Tecnologia daCalifórnia.O próximo estágio da pesquisa será teletransportar umapartícula com massa, provavelmente um átomo, e aos poucosavançar para moléculas maiores até chegar a objetos, o que develevar um bom tempo, segundo o chefe da equipe de cientistas.

Agencia Estado,

17 de junho de 2002 | 20h06

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