Autoridades e ambientalistas discutem agenda positiva para a BR-163

Prefeitos, pesquisadores, indígenas, representantes do setor privado, do governo federal e ambientalistas reúnem-se até amanhã, em Sinop, no Mato Grosso, para discutir uma agenda positiva para a região de influência da rodovia BR-163, a Cuiabá-Santarém, em vias de ser asfaltada. Promovido pelas organizações não governamentais Instituto Socioambiental (ISA) e Instituto Centro de Vida (ICV), com apoio de diversas outras entidades ambientais e sociais, este é o primeiro de uma série de encontros, que pretendem apresentar propostas de inclusão da população indígena e rural no desenvolvimento econômico, decorrente da pavimentação da estrada, além de reduzir seus impactos ambientais. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, deve participar da plenária de encerramento para receber as sugestões, ao lado do ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes.Construída nos anos 70, a Cuiabá-Santarém tem hoje 1.764 km. Menos da metade da rodovia ? de Cuiabá a Nova Santa Helena, na divisa de Mato Grosso com o Pará - está asfaltada. Um consórcio de empresas agrícolas, companhias da Zona Franca de Manaus, construtoras e a Petrobrás, com apoio do governador Blairo Maggi, formalizou proposta de pavimentação do trecho restante, considerada prioritária pelo governo Lula, para o escoamento das safras agrícolas, sobretudo de soja.No evento de Sinop, pelo menos 100 lideranças indígenas integram os grupos de trabalho, ao lado de 150 brancos, num esforço inédito de diálogo. ?Há muita desinformação sobre o interesse das ongs e populações indígenas na rodovia, atribuindo-se a elas uma oposição ao asfaltamento, que não condiz com a realidade?, diz Adriana Ramos, do ISA. ?Para etnias como a dos panarás, diretamente afetados, no passado, pela construção da estrada, a proximidade da rodovia preocupa?. Os panarás estão a cerca de 30km da BR-163 e já sentem a pressão da ocupação desordenada, que tende a aumentar com a circulação da rodovia. ?Os indígenas do Xingu, a menos de 100km da Cuiabá-Santarém, sentem uma pressão mais indireta, da expansão das áreas agrícolas nas cabeceiras dos rios, que cortam o parque, com a conseqüente queda da qualidade da água devido ao uso de pesticidas e desmatamentos. Além disso, temem o aumento do número de pousadas e hotéis de ecoturismo, com turistas e pescadores circulando dentro da área protegida?, continua Adriana. A valorização das terras ao longo da rodovia, no trecho a ser pavimentado, acirrou os processos de especulação e grilagem. Os cultivos de soja, mais capitalizados, tendem a empurrar as pastagens para áreas mais distantes da estrada e mais próximas dos índios.?Neste trecho de Sinop, estamos tratando de uma área com alto índice de ocupação, com muitos assentamentos ao longo da rodovia, e o que nos preocupa é a sustentabilidade desta ocupação?, prossegue a ambientalista. Ela ressalta, que alguns assentamentos precisam cuidar dos passivos ambientais e, em outros, é fundamental a implantação de infra estrutura para escoamento da produção familiar, incluindo estradas vicinais e energia, a par de escolas e saúde. ?Em outros trechos, estamos propondo algumas unidades de conservação, para assegurar um certo grau de conectividade entre áreas ainda preservadas, seguindo um ordenamento territorial?.

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