Avicultores pernambucanos compram milho transgênico

Onze avicultores pernambucanos conseguiram, na justiça federal, liminar autorizando a importação de 17.850 toneladas de milho transgênico da Argentina, que está sendo desembarcado no Porto do Recife desde segunda-feira. O produto será usado na ração animal e será suficiente para o consumo de cerca de 10 dias. Outros lotes estão sendo negociados. Para o presidente da Associação dos Avicultores de Pernambuco (Avipe), Edílson Santos Júnior, a liberação do milho transgênico servirá para salvar o setor, que enfrenta séria crise de desabastecimento, e vai beneficiar a população com a possibilidade de redução do preço do frango. Ele frisou que o governo federal está sem estoque e sem orçamento para equalizar o preço do milho ao do argentino. Por isso, o produtor pernambucano paga R$ 34 pela saca de 60 quilos produzida no sul do País, enquanto o preço do produto argentino fica por R$ 24,50 a saca. Desde o último trimestre do ano passado, Pernambuco teve mais de 170 granjas fechadas e cerca de 17 mil pessoas ficaram desempregadas - direta ou indiretamente. O Estado tem cerca de 2 mil avicultores, que empregam aproximadamente 120 mil pessoas. Com a crise de desabastecimento, nos últimos seis meses foi registrada uma redução de 30% na produção de frango (de 9,5 milhões de aves/mês para 7,5 milhões) e a produção de ovos caiu de 4 milhões/mês para 3 milhões/mês. Santos Júnior informou que desde a década de 80 Pernambuco importa milho da Argentina. No ano 2000 o Ministério Público impediu a descarga do produto do navio Norsul Vitória alegando que era transgênico. Análises comprovaram a denúncia, mas a carga foi liberada depois de uma briga judicial. Em 2001 o Brasil teve uma supersafra de milho e Pernambuco adquiriu o produto com preço equalizado pelo governo federal. Em 2002, ainda havia estoque brasileiro, mas foi insuficiente para fechar o ano. Para importar o milho transgênico, os avicultores pediram autorização ao Ministério da Agricultura e à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), entidade que controla os transgênicos no Brasil. De acordo com parecer do órgão, o consumo de produtos derivados de animais que tenham se alimentado de transgênicos não prejudica a saúde.

Agencia Estado,

24 de abril de 2003 | 10h59

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